Irmão nega que agressor de Bush tenha ido a tribunal

BAGDÁ - O jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi, que lançou seus sapatos no presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, não compareceu perante um tribunal nesta quarta-feira, como tinha sido divulgado anteriormente, afirmou seu irmão mais velho, Udai.

Redação com EFE |


"Cerca de 200 advogados iraquianos foram hoje ao tribunal na praça de Saa, na Zona Verde (de Bagdá), e não encontraram Zaidi, que nem sequer esteve lá", afirmou Udai.

Segundo o irmão do jornalista, um dos juízes informou que ele mesmo tinha ido à prisão onde se encontra Zaidi para interrogá-lo, embora Udai tenha expressado suas dúvidas a respeito.

Anteriormente, em uma conversa por telefone com a Efe, Udai tinha dito que o irmão compareceria perante um tribunal, embora não pudesse precisar qual.

"O motivo para que se anunciasse o início do julgamento contra Zaidi é conter a insatisfação das pessoas nas ruas iraquianas e árabes, que são solidários ao meu irmão", assegurou Udai.

Por sua parte, o advogado Diá al-Sadi, que preside o comitê de defesa do jornalista, afirmou à Efe que os defensores pediram hoje ao juiz que investiga o caso que permita um encontro com o repórter, mas que até o momento não receberam nenhuma resposta à solicitação.

Ídolo nacional

A situação criada por Al-Zaid fez com ele virasse uma espécie de ídolo nacional em seu país e outras nações com tendência antiamericans.

No entanto, em declarações a CNN, Bush pediu que as autoridades iraquianas não sejam muito severas com seu agressor.

"Não sei o que vão fazer, mas as autoridades não devem ser muito severas", afirmou Bush, antes de admitir que o episódio de domingo foi "um dos mais bizarros que viveu" em seus oito anos de presidência.

Pedido de liberdade

Nesta quarta-feira, a organização Repórteres Sem Fronteira (RSF) pediu a libertação de Al-Zaidi.

A organização lamentou o procedimento utilizado pelo jornalista para protestar contra a política do presidente americano, mas afirma que, por razões humanitária e para apaziguar as tensões, pede que Muntazer al-Zaidi seja libertado.

A RSF também manifestou preocupacão com a saúde de Al-Zaidi e pediu "aos serviços de segurança iraquianos que garantam a integridade física do jornalistas, que visivelmente ficou ferido durante a prisão".

Segundo a organização, o chefe de operações do ministério iraquiano do Interior, Abdel Karim Jalaf, assinalou que Muntazer al-Zaidi pode ser condenado a até sete anos de prisão por "ofensa contra um chefe de Estado estrangeiro".

Ferido, mas com emprego

De acordo com um irmão do jornalista, Al-Zaidi teve um braço e as costelas quebradas, além de ferimentos em um olho e uma perna.

Em compensação, ele já recebeu uma oferta de emprego. Um canal libanês conhecido pelas posições antiamericanas, a New TV (NTV), ofereceu publicamente um emprego ao jornalista.

Fadia Bazzi, editor responsável pelos noticiários da emissora, afirmou que o jornalista será pago "a partir do instante em que foi lançado o primeiro sapato".

O canal, de propriedade do milionário empresário libanês Tahsin Khayyat, "está disposto a pagar a fiança para a libertação e garantir os custos dos advogados de defesa", acrescentou.

No domingo, em plena entrevista coletiva, Muntazer al-Zaidi, 29 anos, jornalista do canal Al-Bagdadia, jogou os sapatos contra Bush e insultou o presidente americano, que se esquivou e não foi atingido.

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