Cairo, 4 fev (EFE).- Mohammed Mahdi Akef, dirigente da Irmandade Muçulmana egípcia -grupo do qual se originou o Hamas- convoca hoje ações internacionais urgentes na próxima sexta-feira para advertir aos sionistas (como se refere a Israel) que detenham suas ameaças criminosas, sem especificar quais seriam essas ações.

Em entrevista coletiva na sede da organização no Cairo, Akef reafirmou "a legitimidade da 'resistência palestina'" e afirmou que Israel aumentará seus ataques contra a Faixa de Gaza quanto mais se aproximarem as eleições israelenses previstas para 10 de fevereiro, atribuindo-os à campanha, embora Israel tenha respondido a foguetes do Hamas.

"A agressão criminosa contra o povo de Gaza não terminou", disse o dirigente islâmico, recebido pelos principais chefes desta organização ilegalizada no Egito, mas que apesar disto tem 88 deputados no Parlamento, que concorreram como independentes para evitar as restrições legais.

Ele acusou as "forças ocidentais opressoras" de defender Israel e "não só negar o direito aos palestinos, mas de considerá-lo terrorismo" - o Hamas, de fato, já praticou atos como atentados suicidas em território israelense e ameaçou retomá-los, em meio ao conflito de dezembro.

Akef ainda recriminou a ocidente por "silenciar" contra o que chamou de "crimes israelenses" contra o povo faminto de Gaza "que elegeu o Hamas democraticamente".

Na verdade, embora o Hamas tenha vencido as eleições parlamentares palestinas, tomou o controle da Faxia de Gaza da Autoridade Nacional Palestina (ANP), em junho de 2007, pela força das armas.

Além disso, os ataques de Israel foram amplamente noticiados em todo o mundo.

Mahdi Akef também acusou Israel de violar a trégua de seis meses com o movimento Hamas em julho e que o movimento palestino se negou a renovar no final de dezembro do ano passado.

"Violaram o acordo de trégua com o movimento Hamas 195 vezes durante seis meses", ressaltou Akef em discurso lido após o que não houve rodada de perguntas.

No entanto, o primeiro confronto registrado entre Israel e Hamas após a trégua de junho aconteceu em novembro, quando o Exército israelense matou seis milicianos que tentavam cavar um túnel em direção ao território israelense.

Depois disso, os três antes do fim oficial do cessar-fogo, em 19 de dezembro, assim como os oito seguintes, foram marcados por ataques do Hamas a Israel com foguetes.

Além disso, conclamou os países árabes a não abandonarem a "resistência palestina" que chamou de "última linha de defesa de 'nossa terra' (na qual inclui o território de Israel)" e assegurou que se isso ocorrer os palestinos serão "escravos dos sionistas".

Finalmente, encorajou a fazer as "ações necessárias" para levantar o bloqueio que Israel impõe à Faixa de Gaza desde junho de 2007 -sem especificar quais seriam essas ações-e de abrir as fronteiras, especialmente a de Rafah, que separa Gaza do Egito.

Além do Hamas, fundado em 1987, a Irmandade Muçulmana, criada no Egito em 1929, também foi o berço ideológico da rede terrorista Al Qaeda, incluindo seu principal chefe, Osama Bin Laden e outros membros envolvidos nos atentados de 11 de setembro de 2001. EFE jfu/jp

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