Irmã de Ingrid Betancourt pede que Sarkozy converse com Chávez

A irmã da refém franco-colombiana Ingrid Betancourt, Astrid Betancourt, pediu nesta sexta-feira ao presidente francês Nicolas Sarkozy que responda à proposta de seu colega venezuelano, Hugo Chávez, de coordenar os esforços para a libertação dos reféns das Farc.

AFP |

Em coletiva de imprensa em Paris, Astrid Betancourt recordou que os personagens principais deste drama são o presidente colombiano Alvaro Uribe e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mas que a França tem o poder de ajudar na libertação de Ingrid e seus companheiros de cativeiro.

"A França deve atuar em coordenação com o presidente Chávez porque está provado que ele tem contatos, os meios de comunicação e sabe como fazer passar as mensagens de tudo que a França pode oferecer".

Hugo Chávez sugeriu na quinta-feira a Sarkozy que converse com o presidente George W. Bush sobre a missão médica para socorrer Ingrid Betancourt e outros reféns das Farc.

Chávez também convidou o presidente francês a ir com ele buscar Ingrid na selva.

"Presidente Sarkozy, vamos a Caguan, diga ao presidente Bush que ele tem muito a ver com isto, fale com Bush", declarou Chávez em rede nacional de rádio e televisão sobre os detalhes da conversa que manteve com o líder francês.

"Recomendei a Sarkozy: fale você com o presidente dos Estados Unidos, diga que ele pode fazer muito ali. Eu estou disposto, como Sarkozy, a ir buscar Ingrid", disse Chávez.

Chávez disse que ofereceu a Sarkozy sua ajuda para a missão médica organizada pela França, mas destacou que "a situação é extremamente complicada" porque as Farc não responderam à iniciativa francesa.

"Estamos dispostos a apoiar esta missão humanitária, como já fizemos antes, mas certamente esta situação é muito complicada", insistiu Chávez.

A França enviou na quinta-feira um avião com uma equipe médica a Bogotá para socorrer Ingrid Betancourt, mas aguarda uma autorização da guerrilha para chegar à refém franco-colombiana.

Na véspera, o ex-congressista colombiano Oscar Tulio Lizcano, refém da guerrilha das Farc há mais de sete anos, pediu em um vídeo que Hugo Chávez, ajude em sua libertação.

"Comandante Chávez, aja como o bom soldado, (o libertador Simón) Bolívar, e faça o impossível para tirar-nos daqui porque estamos apodrecendo nesta selva", disse Lizcano no vídeo, apresentado pela senadora colombiana Piedad Córdoba como uma prova de vida do político.

Mas um líder da guerrilha colombiana das Farc afirmou que novos reféns serão libertados somente em troca de rebeldes presos, em um texto divulgado pela internet.

"Apenas como conseqüência de uma troca de prisioneiros, serão libertados os cativos em nossos acampamentos", disse o chamado "chanceler das Farc", Rodrigo Granda, em um texto assinado com Jesús Santrich, publicado pela Agência Bolivariana de Notícias.

"Muitos pedem a libertação dos 'seqüestrados', mas muitos também esquecem que os nossos estão em piores condições".

"Não é admissível que nos peçam mais gestos de paz, quando depois de tantas provas de nossa vontade política para encontrar saídas ao conflito, respondem-nos com infâmias e maledicência", destaca o texto firmado por Granda.

Granda, libertado em maio passado pelo governo colombiano, a pedido do presidente francês, Nicolas Sarkozy, viajou algumas semanas depois para Cuba.

O texto elogia o número dois da Farc, Raúl Reyes, morto no ataque colombiano de 1º de março passado contra um acampamento da guerrilha no território do Equador. Granda qualifica a ação de assassinato.

hov/cn/fp

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