Irlando do Norte pede ajuda a R.Unido contra dissidentes do IRA

Dublin, 6 mar (EFE).- A Polícia autônoma norte-irlandesa (PSNI) pediu a intervenção dos serviços secretos (MI5) e das Forças Armadas britânicas para fazer enfrentar a crescente ameaça de grupos dissidentes do Exército Republicano Irlandês (IRA).

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O pedido foi confirmado hoje pelo chefe da PSNI, Hugh Orde. Ele advertiu que o risco de ataques de paramilitares dissidentes está em seu nível mais alto desde que chegou ao cargo, há sete anos.

O Exército britânico encerrou em agosto de 2007 suas operações na Irlanda do Norte, onde chegou em 1969 para apoiar a Polícia local contra o aumento da violência pelos confrontos entre católicos e protestantes que duraram mais de 30 anos.

Com a retirada do Exército, a agência de contra-espionagem britânica MI5, que trata dos assuntos de segurança nacional, assumiu o serviço secreto da região, substituindo o PSNI para unificar a coleta de informação e melhorar, assim, a resposta do Reino Unido à ameaça do terrorismo internacional.

Segundo declarou hoje Orde, a presença agora de especialistas militares na Irlanda do Norte atende à necessidade de aumentar "a capacidade técnica" da Polícia, embora ele tenha especificado que eles farão trabalho de inteligência, não operacional.

O chefe da PSNI reiterou que não há planos para refazer um contingente militar na província que acompanhe a Polícia em suas atividades diárias.

Orde ressaltou que a medida cumpre as regras estabelecidas no acordo de paz de Saint Andrews, em 2006, texto que fixou as bases para a formação do atual Governo de poder compartilhado entre católicos e protestantes.

"Durante os últimos sete ou nove meses, afirmei que a ameaça estava crescendo. Esta é muito específica, os chamados terroristas dissidentes republicanos estão dispostos a assassinar policiais", explicou Orde à "BBC".

"Desde novembro passado houve 15 ataques, de tiroteios até armadilhas com bombas em carros, passando por minas terrestres e um carro-bomba com mais de 100 quilos de explosivos no mês passado".

O retorno do Exército britânico criou "preocupação" no moderado e católico Partido Social-Democrata e Trabalhista (SDLP), quarto maior da província.

A parlamentar Dolores Kelly, que ocupa um posto no Comitê da PSNI -órgão que supervisiona suas atividades-, disse hoje que seu partido quer abordar este assunto com as autoridades policiais e com o Governo da República da Irlanda. EFE ja/jp

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