Irlandeses rejeitaram reforma da UE, diz ministro

O ministro da Justiça da Irlanda, Dermot Ahern, reconheceu nesta sexta-feira a possível derrota do sim no plebiscito realizado na quinta-feira no país sobre a adoção do Tratado de Lisboa, que muda o funcionamento da União Européia. Segundo o site do canal de TV irlandês RTE, após a totalização dos votos em 33 dos 43 distritos onde ocorreu a votação, o não vencia com 53,7% dos votos contra 46,3% a favor da adoção.

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"Parece que este será um voto pelo 'não'. No final das contas, por muitas razões, o povo se pronunciou", disse Ahern em uma transmissão ao vivo pela televisão irlandesa.

"Teremos que esperar para ver como isto se desenvolverá no resto dos países na União Européia (...). Se nós formos o único país a não ratificar (o tratado) então isto, obviamente, vai levantar algumas questões."
"Este tratado precisa ser ratificado por todos os 27 (países). Então, até certo ponto, estamos em águas desconhecidas", afirmou o ministro.

"Plano B"
O plebiscito é importante para o futuro do bloco, já que a Irlanda é o único país que está submetendo a decisão ao voto popular. Nos demais 26 países, o tratado foi ou será votado no Parlamento.

Quatorze países do bloco já ratificaram o tratado.

Segundo o correspondente da BBC em Dublin Jonny Dymond, uma derrota no plebiscito pode levar o bloco a uma nova crise política.

O texto reforma a União Européia, substituindo uma proposta mais ambiciosa de Constituição do bloco. O texto da Constituição foi derrotado em 2005 em plebiscitos na França e na Holanda.

Entre as reformas propostas pelo tratado estão a criação de uma Presidência do Conselho de Ministros da UE com longo mandato, um chefe de política exterior mais poderoso e a remoção do poder de veto de países em um número maior de áreas de decisão.

Líderes europeus afirmam que não têm um "plano B" caso a Irlanda realmente rejeite o tratado.

"Se o povo irlandês decidir rejeitar o Tratado de Lisboa naturalmente não existirá mais um Tratado de Lisboa", disse o primeiro-ministro francês, François Fillon, na noite de quinta-feira.

Baixa participação
A participação dos eleitores no referendo na Irlanda foi de 45%, o que, segundo analistas, já indicava uma possível rejeição do documento.

Segundo Jonny Dymond, muitos eleitores parecem ter votado pelo "não" porque simplesmente não compreenderam o tratado - apesar de uma grande campanha pelo "sim", liderada pelo primeiro-ministro Brian Cowen, que tinha o apoio da maioria dos principais partidos irlandeses.

Em 2001, os eleitores da Irlanda rejeitaram o tratado de Nice, que expandia o bloco com a entrada de países do Leste Europeu. A expansão só foi possível com um segundo plebiscito, que foi muito criticado na Irlanda.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, pediu que todos os países apóiem o tratado, que está previsto para entrar em vigor no dia 1º de janeiro de 2009.

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