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Irlandeses dizem não ao Tratado de Lisboa, Europa em crise

Os Irlandeses disseram não por ampla maioria ao Tratado europeu de Lisboa, mergulhando hoje a Europa numa nova crise, três anos após a rejeição da Constituição européia por franceses e holandeses em 2005.

AFP |

Segundo os resultados oficiais, o não conseguiu 53,4% das votos, contra 46,6%.

O presidente da Comissão européia José Manuel Barroso já havia se referido antes à situação.

"Tudo indica que a Irlanda votou não ao Tratado de Lisboa", declarou em entrevista à imprensa em Bruxelas, destacando que a Comissão "respeitava" a escolha dos eleitores irlandeses.

"Para a Comissão européia, as ratificações a serem feitas devem continuar em curso" acrescentou, lembrando que "18 Estados membros já haviam validado o tratado".

A França, que vai presidir a União Européia a partir de 1º de julho, e a Alemanha também estão de acordo com o fato de que "outros Estados membros prossigam o processo de ratificação", segundo um comunicado conjunto divulgado pelo Palácio do Eliseu.

"Estamos convencidos de que as reformas contidas no Tratado de Lisboa sejam necessárias para tornar a Europa mais democrática e mais eficaz e que permitirão responder aos desafios aos quais estão confrontados os cidadãos", estimaram Paris e Berlim.

Segundo Barroso, o primeiro-ministro irlandês Brian Cowen considera que apesar do "não" no referendo na Irlanda, o Tratado de Lisboa "não morreu" e que os dirigentes europeus deverão decidir na reunião de cúpula européia de 19-20 de junho "como continuar".

"Acabo de falar com o primeiro-ministro Cowen, e ele destacou claramente que esse voto não deve ser percebido como um voto contra a UE", acrescentou o presidente da Comissão.

Por sua vez, o primeiro-ministro de Luxemburgo Jean-Claude Juncker estimou que o Tratado de Lisboa não poderia entrar em vigor em 1º de janeiro de 2009 como inicialmente previsto.

Em Dublin, os partidários do "não" nem esperaram o anúncio oficial para demonstrar seu contentamento.

"O Tratado de Lisboa morreu", declarou o líder do partido Trabalhista, Eamon Gilmore, da oposição.

No campo adversário, o presidente do partido nacionalista Sinn Fein, Gerry Adams, teve exatamente o mesmo discurso: "é o fim do Tratado de Lisboa", declarou. Acrescentou que a vitória do "não" representava "uma base para a renegociação" do tratado, apelando ao primeiro-ministro irlandês para "obter um melhor acordo" em Bruxela.

Para o empresário Declan Ganley, partidário do "não", "é um belo dia para os irlandeses e os europeus. É um grande dia para a democracia".

"É a terceira vez que a mesma mensagem é enviada por milhões de cidadãos europeus a uma elite em Bruxelas não eleita e que não presta contas de seus atos", prusseguiu.

Mais de três milhões de eleitores foram às urnas na quinta-feira para votar no único referendo organizado sobre o Tratado de Lisboa na Europa. Os 26 outros Estados-membros da UE optaram por uma ratificação através de seus parlamentos, o que 18 capitais já fizeram.

O tratado precisa ser ratificado pelo conjunto dos 27 países da UE para entrar em vigor.

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