Irlandeses decidem futuro do Tratado de Lisboa

Três milhões de eleitores irlandeses decidem nesta quinta-feira o futuro do tratado europeu de Lisboa, durante um referendo considerado crucial por seu resultado imprevisível e aguardado com atenção por cerca de 500 milhões de europeus.

AFP |

Os centros de votação foram abertos às 07h00 locais (03h00 de Brasília) e não fecharão antes das 22h00 (18h00) para que o maior número de eleitores possa participar do processo eleitoral.

O primeiro-ministro irlandês Brian Cowen se disse "confiante" ao votar em Tullamore (centro). As recentes pesquisas mostram que os irlandeses se encontravam divididos entre o "ta" (sim em gaélico) e o "nil" (não), com uma pequena vantagem do "não". "Realizei (a campanha) da melhor maneira que pude, ... Percorri todo o país, falei de todos os problemas", declarou aos jornalistas.

A Irlanda é o único dos 27 a se pronunciar por referendo, como estabelece sua Constituição. Os outros países optaram por uma ratificação parlamentar, o que 18 capitais já fizeram, sendo que Finlândia, Estônia e Grécia deram seu veredicto favorável na quarta-feira.

Na Grã-Bretanha, onde o primeiro-ministro Gordon Brown se recusou a organizar um referendo apesar dos reiterados apelos da oposição, o processo de ratificação no Parlamento será mantido, independentemente da posição dos irlandeses, afirmou à AFP uma fonte diplomática.

A perspectiva de uma rejeição do tratado por 4,2 milhões de irlandeses, ou seja menos de 1% dos 495 milhões de europeus, trouxe de volta os fantasmas do "não" à Constituição européia em 2005 dado pela França e pela Holanda e do rechaço ao Tratado de Nice, durante um referendo realizado em 2001 na Irlanda.

Neste segundo foi preciso então organizar uma segunda votação na ilha para que o texto fosse adotado. Mas desta vez não haverá segundo referendo, assegurou o governo.

Alguns adeptos do "não" previram um aumento dos impostos, o fim da neutralidade militar irlandesa, e ainda a obrigação de legalizar o aborto, ainda proibido na Irlanda. Esses temores são negados pelos defensores do "sim".

Mas uma das razões principais para o "não" é o desconhecimento da maioria a respeito do tratado, indicam as recentes pesquisas.

"Se você não compreende, deve votar não", disse Donald O Donahue, 50 anos, eleitor de Drumcondra, coração popular de Dublin e "capital do não" durante o referendo de 2001.

Consciente de que a participação será importante no processo eleitoral, o Irish Times pediu aos seus leitores que "exerçam (seu) direito de voto". O jornal lembra que, durante o referendo de 2001, uma participação inferior a 35% permitiu a "uma minoria" do "não" impedir a aprovação do Tratado de Nice.

O Irish Daily Mirror indica que a Europa forneceu "bilhões de euros à Irlanda", em referência aos 40 bilhões de euros de ganhos líquidos que a ilha obteve depois de sua entrada na CEE em 1973.

O campo do "sim" reúne todas as formações parlamentares, à exceção do partido nacionalista Sinn Féin, que conta apenas com quatro deputados em 166.

Nenhuma pesquisa de boca-de-urna estava prevista. A contagem começará na sexta-feira às 09h00 (05h00 de Brasília) e os resultados deverão ser revelados no final da tarde.

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