Irlanda vota tratado que define futuro da UE

Por Andras Gergely DUBLIN (Reuters) - A Irlanda realiza na quinta-feira um referendo que vai decidir o destino de um tratado escrito para agilizar o processo decisório na União Européia.

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A Irlanda é o único entre os 27 membros da UE a submeter o tratado a referendo, o que significa que um país com menos de 1 por cento da população total do bloco, de 480 milhões de pessoas, pode impedir a reforma institucional.

Pesquisa divulgada na semana passada mostra o 'não' à frente pela primeira vez, o que provocou consternação em Bruxelas, sede da UE, que precisa da ratificação de todos os membros para implementar o tratado, criado para substituir a Constituição européia rejeitada nos referendos de 2005 na França e na Holanda.

O novo tratado, desenhado para melhorar a maneira que o bloco em expansão é dirigido, cria uma Presidêncua de longo prazo do Conselho Europeu e dá mais força ao chefe da política externa do bloco. Ele também desenvolve um sistema mais democrático de votação e dá mais voz aos parlamento nacional e europeu.

A última pesquisa antes do referendo, divulgada no fim de semana, mostra um avanço da resistência ao Tratado de Lisboa, embora o 'sim' estivesse ligeiramente à frente.

Políticos dizem que a União Européia não tem um 'plano B' para o caso de rejeição do tratado, pois este já foi criado como substituto da frustrada Constituição.

A maioria dos políticos, empresários, sindicalistas e grupos agrícolas da Irlanda defende o voto no 'sim', mas admite que o resultado deve ser apertado, pois o complexo texto do tratado é de difícil explicação para os eleitores.

'É verdade que não tem sido fácil para o povo', disse o primeiro-ministro Brian Cowen em entrevista publicada pelo jornal italiano La Stampa. 'Na última semana, vi claros sinais que mostram um conhecimento do que significa o Tratado de Lisboa e a necessidade de expressar isso de forma positiva.'

Mary Dolan, 52 anos, que trabalha no combalido setor irlandês da construção civil, discorda, dizendo que ninguém lhe explicou direito o tratado, e por isso ela votou 'não'.

'Muitos políticos irlandeses não quiseram ficar no lado errado dos partidos europeus, não quiseram levar um tapa na mão', disse ela após votar na rua Pearse, uma área do centro de Dublin onde moradias populares se misturam a novíssimos empreendimentos imobiliários.

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