Luxemburgo, 16 jun (EFE).- O ministro de Relações Exteriores da Irlanda, Micheál Martin, pediu hoje que a União Européia (UE) busque soluções de forma conjunta para o resultado negativo do plebiscito de seu país sobre a ratificação do Tratado de Lisboa.

"Estivemos nesta situação antes e, coletivamente, os membros da UE trabalharam juntos para conseguirem uma solução", afirmou Martin em declarações na sua chegada a uma reunião de ministros de Exteriores da UE que tentará encontrar uma saída para esta situação complicada.

A solução conjunta "é nossa esperança, é nosso desejo", acrescentou o ministro irlandês, que disse que a modalidade específica para uma possível saída da situação está perto de ser analisada.

Martin considerou que ainda é muito cedo para pensar na possibilidade de uma nova consulta popular em seu país, similar a que houve em 2002 - desta vez, porém, com resultado positivo -, após a rejeição dos irlandeses ao Tratado de Nice em outro plebiscito de 2001.

Disse também que o povo irlandês votou e a decisão precisa ser respeitada, mas mostrou apoio a outros países que continuam seus processos de ratificação por via parlamentar.

"Estamos em uma situação incerta", reconheceu o ministro de Exteriores irlandês.

Martin admitiu que o Governo está "decepcionado com o resultado" do plebiscito, mas insistiu que este foi produto de um processo democrático, embora a Irlanda "seja um membro entusiasta" da União Européia.

Javier Solana, Alto Representante da UE para Política Externa e Segurança Comum, mostrou-se confiante na solução do problema, apesar de ter dito que ainda não sabe como resolvê-lo.

Já o ministro de Relações Exteriores da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou claramente que o Tratado de Lisboa "não está morto" e que o processo de integração européia "não foi interrompido".

Stubb lembrou que a Europa sempre as regulou a fim de encontrar uma solução após o resultado negativo de referendos nacionais a seus tratados, por isso se mostrou confiante em conseguir, em conjunto, uma regra.

"Temos de mostrar solidariedade. Não vamos deixar para trás um amigo", acrescentou, referindo-se à Irlanda. EFE rcf/fh/fal

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