Iraquianos votam em eleições-teste para a estabilização do país

Milhões de iraquianos elegem neste sábado seus conselheiros provinciais, em uma eleição que tem valor de teste para a estabilização do país após anos de violência e de insegurança.

AFP |

Poucas horas antes do fechamento dos colégios eleitorais, alguns incidentes isolados marcaram estas primeiras eleições organizadas no Iraque desde 2005, apesar do esquema de segurança reforçado instalado pelas forças da ordem.

De Mossul, feudo da Al-Qaeda no norte do Iraque, a Fao, no extremo sul do país, passando pela cidade sunita de Ramadi, às portas do deserto, e Bagdá, 15 milhões de iraquianos eram convocados às urnas para renovar seus conselheiros provinciais, que elegem em seguida os governadores e desempenham um papel importante na reconstrução.

Depois de votar na 'Zona Verde', o setor mais protegido da capital, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, saudou o "alto nível de participação" que parece estar marcando estas eleições.

"Todas as informações apontam para um alto nível de participação. Conclamo todos meus irmãos e irmãs iraquianos a votar e a respeitar as instruções estabelecidas pela Comissão eleitoral", declarou.

Estas eleições provinciais têm valor de teste para a estabilidade do país e a popularidade do premier, cuja lista "Coalizão pelo Estado de direito" é considerada favorita.

Quase um milhão de soldados e policiais iraquianos estão em estado de alerta, e medidas de segurança draconianas foram instauradas para evitar atentados suicidas ou ataques rebeldes.

Durante a tarde, o primeiro-ministro suspendeu a proibição de circular de carro em Bagdá.

"Em 2005, eu pertencia ao Ansar al-Sunna (um dos movimentos insurgentes mais radicais do Iraque), e nosso chefe dizia que estas eleições eram ilegais e que os que votariam seriam considerados apóstatas", relatou Abu Riad na fila de um centro de votação no centro de Ramadi, capital da província sunita de Al-Anbar.

Há três anos, a imensa maioria dos sunitas não votaram. As eleições deste sábado devem marcar o retorno desta comunidade religiosa.

"Vim votar hoje para compensar tudo o que perdemos ao boicotar as últimas eleições", explicou Abu Riad.

"Em 2005, votei nos membros da minha comunidade, mas hoje, escolhi os mais competentes", afirmou, por sua vez, Raad Kazem, um xiita de 65 anos, em um colégio eleitoral de Bagdá.

Na turbulenta província de Diyala, Muchtar Jabaar se disse orgulhoso de ter cumprido seu dever. "As pessoas têm medo de votar por causa dos terroristas. Eu votei para mostrar a elas que não precisamos ter medo", contou este taxista de 32 anos.

No entanto, alguns incidentes foram registrados neste sábado.

Em Tikrit, a região onde nasceu o ex-ditador Saddam Hussein, quatro bombas de efeito moral explodiram perto de centros de votação, sem deixar vítimas, segundo a polícia.

Em Bagdá, duas pessoas foram feridas perto de um colégio eleitoral no bairro popular xiita de Sadr City, onde soldados tiveram que atirar para o alto para organizar uma fila de espera. Além disso, seis policiais e um civil foram feridos na explosão de uma bomba caseira em Tuz Khormatu, 180 km ao nordeste de Bagdá.

Os primeiros resultados destas eleições devem ser anunciados no dia 3 de fevereiro.

bur/yw

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