Iraquianos votam apesar de ataques com 24 mortos

Por Suadad al-Salhy e Missy Ryan BAGDÁ (Reuters) - Os iraquianos foram às urnas neste domingo em meio a ataques que deixaram ao menos 24 pessoas mortas. Militantes sunitas prometem inviabilizar a votação, num dos muitos desafios para estabilizar o Iraque antes da retirada das tropas norte-americanas.

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Bombas em estradas e foguetes lançados da própria cidade explodiram perto de centros de votação em Bagdá e outros locais, numa campanha coordenada contra as eleições parlamentares no Iraque. O país prepara-se para escolher o seu segundo Parlamento desde a invasão norte-americana em 2003.

O rumo político do Iraque será decisivo para os planos do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para reduzir o número de soldados norte-americanos no país nos próximos meses e retirá-los por completo no fim de 2011. Empresas de petróleo, que planejam investir bilhões no Iraque, também acompanham os desdobramentos.

No pior dos ataques, 12 pessoas morreram quando uma bomba explodiu num bloco de apartamentos em Bagdá. Quatro morreram numa ação similar contra outro prédio residencial. Um foguete também matou quatro na capital iraquiana de 7 milhões de habitantes.

O número de feridos no país está em torno de 65.

Porta-voz das forças de segurança, o general Qassim al-Moussawi declarou que os foguetes são disparados principalmente de distritos sunitas de Bagdá.

"Estamos em estado de combate. Estamos operando num campo de batalha e nossos guerreiros estão preparados para o pior", afirmou.

Apesar dos ataques, Moussawi disse que uma proibição para o tráfego de carros, com o objetivo de prevenir atentados, foi suspensa. A restrição continua para ônibus e caminhões.

O grupo Estado Islâmico do Iraque, ligado à al Qaeda, alertou para as pessoas não votarem e prometeu atacar quem desobedecer.

Os 96 mil homens dos Estados Unidos ainda no Iraque permanecem na retaguarda.

Os eleitores escolhem no pleito entre partidos xiitas que têm dominado o país desde a queda de Saddam Hussein e seus rivais seculares.

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, fez um apelo a todos os partidos para que o resultado eleitoral seja aceito. "O que ganha hoje pode perder amanhã, e o que perde hoje pode ganhar amanhã", afirmou o premiê logo após votar.

Um dos adversários de Maliki, o ex-premiê Iyad Allawi, já fez uma reclamação sobre irregularidades na votação.

Cerca de 6.200 candidatos de 86 facções disputam 325 assentos no Parlamento. A expectativa é que não haja maioria clara e que a formação do governo tome meses, o que poderia ser explorado por grupos armados insurgentes no país.

(Reportagem adicional de Said Tawfeeq, Aseel Kami, Khalid al-Ansary e Rania El Gamal em Bagdá, Waleed Ibrahim em Ramadi, Mohammed Abbas e Khaled Farhan em Najaf, Mustafa Mahmoud em Kirkuk, e Sabah al-Bazee em Tikrit)

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