Iraquianos vão às ruas contra a ocupação americana em Bagdá

Uma multidão de iraquianos se reuniu nesta quinta-feira em Bagdá em resposta a uma convocação do líder radical xiita Moqtada Sadr contra a ocupação americana, no sexto aniversário da queda do regime de Saddam Hussein.

AFP |

Os manifestantes, vindos, em maioria, das províncias xiitas do sul do país e dos bairros pobres de Bagdá, se dirigiam à Praça Fardus, na qual iraquianos, junto a soldados americanos, derrubaram a estátua do ex-ditador há seis anos. Desde cedo, jovens agitavam bandeiras iraquianas e fotos de Moqtada Sadr em meio à chuva forte na praça.

"Todos os que são contra a ocupação devem participar desta manifestação", disse de um palanque o xeque Hazem al Aaraji, um dos chefes do movimento Sadr.

Inúmeros xiitas receberam com alívio o anúncio do início, em 20 de março de 2003, da operação "Iraqi Freedom" (Liberdade iraquiana).

No entanto, durante os meses e os anos seguintes, alguns xiitas entraram para milícias xiitas, como o Exército do Mahdi de Moqtada Sadr, contra as tropas americanas, que já vinham enfrentando a insurreição sunita.

Em um comunicado lido por um porta-voz, Moqtada Sadr, que estaria refugiado no Irã, exortou ao presidente americano, Barack Obama, que realizou visita surpresa terça-feira a Bagdá, a "apoiar o povo iraquiano e trabalhe na retirada" das tropas americanas.

"Peço aos manifestantes que apertem a mão de seus irmãos das forças de segurança", acrescentou Moqtada Sadr no comunicado, quase um ano depois dos violentos combates contra sua milícia, o Exército de Mahdi, com as forças regulares iraquianas.

Moqtada Sadr, herdeiro de uma linha de dignitários religiosos, sempre foi contra a presença de tropas estrangeiras em seu país. Seus partidários se enfrentaram diversas vezes com soldados americanos na cidade santa de Najaf, ao sul da capital Basra e em seu reduto de Sadr City, um bairro pobre do nordeste de Bagdá.

Os manifestantes atearam fogo em um caminhão de mais de dois metros de altura com a figura de George W. Bush de um lado e de Saddam Hussein de outro, e pisotearam uma bandeira americana jogada no chão.

"O dia 9 de abril é um dia negro porque Saddam Hussein cai, mas representa a transição para a ocupação, o que é pior que a ditadura", afirmou Abu Ali, um funcionário de 42 anos que veio de Nasiria (sul).

O regime de Saddam Hussein, que dirigia o país desde 1979, foi derrubado em 9 de abril de 2003, após a invasão do Iraque pelas tropas norte-americanas em 20 de março.

O ex-ditador foi enforcado em 30 de dezembro de 2006, depois de ter sido condenado à morte um mês antes pela matança de 148 xiitas em represália por um ataque contra o comboio presidencial em julho de 1982.

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