Iraquianos se dividem entre esperança e desânimo para o pleito de amanhã

Amre Hamid. Bagdá, 30 jan (EFE).- O clima entre os iraquianos para as eleições provinciais de amanhã se divide entre aqueles que esperam que o pleito marque o início de uma nova era e os que o consideram inútil, por ser realizado sob ocupação dos Estados Unidos.

EFE |

Em contagem regressiva para as eleições, uma grande parte dos mais de 15 milhões de iraquianos com direito a voto em 14 províncias do país duvidam que o processo propiciará mudanças na nação.

"Embora as eleições sejam um grande salto para estimular a vida democrática iraquiana, acho que os grandes partidos que venceram nos últimos pleitos seguirão dominando a arena política com seu dinheiro e suas fortes campanhas eleitorais", disse à Agência Efe o ativista político independente Salim al-Sultani.

Sultani descartou "mudanças drásticas na atual situação das autoridades provinciais", embora tenha se mostrado convencido de que os novos candidatos farão com que Governos regionais tenham "mais poder" e sejam "mais fortes e eficientes".

"Espero que nessas eleições os eleitores estejam mais conscientes de que têm de escolher o melhor candidato, sem levar em conta suas inclinações políticas ou religiosas", acrescentou o ativista político.

Para Ahmed al-Aani, analista político sunita, o resultado do pleito provincial mudará "a imagem do Iraque no exterior e fará germinar um novo país, que desempenhará um papel importante como berço da civilização, como foi ao longo da história".

Contrastando com Aani surge a imagem sombria e nefasta que Abu Mohammed, professor aposentado, vislumbra com relação às consequências das eleições para o país.

Segundo sua opinião, a votação será similar às do passado, com as listas eleitorais refletindo a "dolorosa fragmentação da realidade iraquiana, em que os blocos evidenciam cotas sectárias e étnicas".

Também expressou pessimismo sobre o futuro do país o servidor público Taha Raad, que não aposta que o pleito trará benefícios ao Iraque ou que acabará com o sofrimento do povo iraquiano.

"Muitos supõem que essas eleições são democráticas, mas o que está ocorrendo no Iraque não tem nada a ver com democracia", completou.

Para Raad, os lemas dos candidatos eleitorais não significam "nada", "chovem no molhado", já que aqueles que ganharem o pleito "não cumprirão as promessas anunciadas durante a campanha".

Por sua parte, a estudante universitária Suhad Ibrahim ressaltou que o resultado da votação de amanhã será "nulo e sem efeito", porque as eleições serão realizadas sob ocupação americana.

"Não acredito que as eleições possam trazer algo de bom para o Iraque, e sim deixar as portas abertas para a corrupção e a violência", concluiu Ibrahim, em alusão à situação de caos no país que já dura seis anos, iniciada com conflitos e a queda do regime do ditador iraquiano Saddam Hussein em abril de 2003.

Mais de 14 mil candidatos concorrem amanhã às 440 cadeiras das assembleias regionais de 14 das 18 províncias iraquianas, já que não participam do pleito as três do Curdistão iraquiano e a da província petrolífera de Kirkuk.

É esperada uma grande disputa entre a Assembleia Suprema da Revolução Islâmica (ASRI), do clérigo xiita Abdel Aziz al-Hakim, e o partido do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, o também xiita Dawa.

EFE ah/fr

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