Iraquianos pedem perdão para homem que jogou sapato em Bush

Milhares de iraquianos saíram às ruas do país nesta segunda-feira para pedir a imediata libertação do jornalista que atirou dois sapatos no presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante uma coletiva realizada no domingo na capital iraquiana.

BBC Brasil |

Muntadar Al-Zaidi foi preso após a tentativa de agressão contra Bush e estaria sendo interrogado e submetido a exames. Ainda não está claro se ele recebeu dinheiro para fazer o que fez ou se estava alcoolizado ou sob efeito de drogas no momento do ocorrido.

Uma multidão se reuniu no bairro de Cidade Sadr, um reduto de muçulmanos xiitas de Bagdá, chamando Al-Zaidi de "herói" e manifestando seu apoio ao xiita.

Também houve manifestações em Najaf, cidade a cerca de 160 km ao sul da capital, e Basra (a aproximadamente 550 km a sudeste de Bagdá).

Muitos iraquianos disseram que a atitude do jornalista foi justa, incluindo os seguidores do influente clérigo xiita Moqtada Al-Sadr.

"Nós pedimos a ele (Bush) que retire (as forças americanas) do Iraque imediatamente", disse Ali Al-Husseini, que trabalha com o clérigo. "Nós também pedimos a libertação do honesto mujahid (muçulmano envolvido em uma jihad, ou guerra santa) iraquiano Muntadar Al-Zaidi por seu ato feroz e patriótico."

Comunicados

O canal de televisão para o qual Muntadar trabalha, o Al-Baghdadiya, divulgou um comunicado em que pede que ele seja libertado.

"O canal Al-Baghdadiya de televisão exige que as autoridades iraquianas libertem imediatamente seu empregado, Muntadar Al-Zaidi, de acordo com os preceitos da democracia e da liberdade de expressão que o novo regime e os americanos prometeram (respeitar)", diz a mensagem, lida por um apresentador da emissora baseada no Cairo.

O governo iraquiano considerou o incidente vergonhoso. Em um comunicado, as autoridades disseram que as ações do jornalista, que também gritou insultos contra Bush, "prejudicam a reputação dos jornalistas do Iraque e do jornalismo iraquiano em geral".

"Este colega (Al-Zaidi) se comportou de uma forma estranha e inútil, que mostrou falta de sabedoria política", comentou o vice-ministro da Cultura, Fawzi Al-Atrushi.

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