Iraquianos pedem fim da ocupação em 6º aniversário da queda de Saddam

BAGDÁ - Milhares de simpatizantes do clérigo xiita Moqtada al-Sadr fizeram uma manifestação hoje nas ruas de Bagdá para pedir o fim da ocupação americana do Iraque, que lembra hoje o sexto aniversário da queda do regime do ditador Saddam Hussein.

EFE |

Os manifestantes se reuniram na praça Firdos, onde em 9 de abril de 2003 um tanque americano arrancou a estátua de Saddam Hussein, em uma ação que simbolizou a derrubada de uma ditadura que durou 24 anos e que deu lugar a seis de violência sectária.

AP
Milhares de pessoas protestaram contra a ocupação do país
Milhares de pessoas protestaram contra a ocupação do país

Hoje, Sadr conseguiu reunir milhares de simpatizantes, na que batizou como "manifestação do milhão de homens", apesar da chuva persistente que caía sobre a capital iraquiana.

Os manifestantes agitaram bandeiras do Iraque e gritaram palavras de ordem como "Não à ocupação" e "Longa vida a Sadr".

Em mensagem lida ao público presente pelo representante do clérigo, Assad al-Ansari, Sadr pediu a Alá que os mantenha unidos, acabe com a ocupação, liberte os detidos das prisões e que não permita que "os ocupantes" roubem o petróleo do Iraque.

O religioso xiita, um dos mais ferrenhos inimigos da presença americana, também pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que coloque fim à ocupação e cumpra suas promessas eleitorais.

"Pedimos ao presidente dos Estados Unidos que junte seus esforços aos dos iraquianos para colocar fim à ocupação", disse.

Manifestação xiita

A maioria dos que saíram hoje para a manifestação procediam do bairro de maioria xiita de Cidade Sadr, no leste de Bagdá, reduto do clérigo.

Durante o protesto, os presentes atearam fogo em bonecos do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, que decidiu invadir o Iraque com o pretexto de que havia armas de destruição em massa, dentro de sua guerra contra o terrorismo global, que incluiu a intervenção militar no Afeganistão e depois no país árabe.

Além disso, queimaram fotos de Saddam, executado em 30 de dezembro de 2006, cujo regime deu o poder aos sunitas e implementou políticas repressivas contra os xiitas.

Testemunhas disseram que, entre os presentes à manifestação, uma das maiores dos últimos meses, também havia árabes de outros credos, turcomanos e curdos.

"Viemos para condenar a ocupação americana que levou nosso país à ruína", disse Alaa al-Saedi, enquanto se protegia da forte chuva.

"A única solução que vejo é que o ocupante vá embora, pois só trouxe a nosso país morte e destruição, apesar de ter vindo dizendo que trazia liberdade, democracia e reconstrução", acrescentou.

Esquema de segurança

Centenas de agentes de segurança e da inteligência foram mobilizados para prevenir ataques terroristas, especialmente depois da onda de carros-bomba desta semana, que espalhou pânico em Bagdá e causou a morte de mais de 30 pessoas, após meses de relativa calma.

Hoje, um civil um morreu e outros 12 ficaram feridos em dois ataques na capital cometidos com artefatos que explodiram na passagem de veículos, no norte e no sudoeste da cidade, segundo fontes do Ministério do Interior.

Esta manifestação ocorre dois dias depois que Obama viajou ao Iraque, em uma breve visita surpresa na qual reiterou seu compromisso de que as tropas dos EUA sairão do país árabe até 2011.

Em fevereiro, Obama anunciou o fim das operações de combate e a saída da maioria dos atuais 144 mil mobilizados no local até agosto de 2010.

A partir dessa data, permanecerão entre 35 mil e 55 mil em tarefas de assessoria e formação, que terminarão sua missão para dezembro de 2011, data máxima estabelecida no pacto de segurança assinado no ano passado entre os dois países para a retirada americana.

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