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Iraquianos assumem controle da Zona Verde de Bagdá

O Iraque assumiu nesta quinta-feira o controle da Zona Verde, o setor superprotegido de Bagdá e símbolo da ocupação americana, poucas horas depois da expiração do mandato da ONU sobre a presença dos soldados da coalizão.

AFP |

A transferência de poderes aconteceu no Palácio republicano, a antiga residência presidencial de Saddam Hussein, na presença de dirigentes iraquianos. Nenhum responsável americano, militar ou civil, estava presente, constatou um jornalista da AFP.

De acordo com uma fonte iraquiana, os americanos tinham deixado o Palácio na véspera, depois de terem retirado sua bandeira. Uma bandeira iraquiana foi içada no edifício.

"Temos o direito de considerar este dia como o do retorno da soberania e do início de um processo para recuperar cada parte de nosso território", declarou o primeiro-ministro, Nuri al-Maliki, diante de dirigentes civis e militares iraquianos.

"Este Palácio é o símbolo da soberania iraquiana, e é uma mensagem dirigida a todos os iraquianos: recuperamos nossa soberania", acrescentou Maliki, anunciando que o dia 1 de janeiro será a partir de agora um "feriado nacional".

Para o ministro da Defesa, Abdel Qader Jassem Mohammed, esta transferência de poderes é "um sinal de que a segurança está melhorando".

Ocupado desde 2003 pelas forças americanas e a embaixada dos Estados Unidos, este edifício gigantesco no coração da 'Zona Verde' era considerado pelos iraquianos como o símbolo da ocupação americana.

Construído no início dos anos 50 pelo último rei do Iraque, Fayçal II, ele foi ampliado nos anos 90 pelo falecido ex-ditador Saddam Hussein, que o transformou em sua residência oficial.

Quando as tropas da coalizão lideradas pelos Estados Unidos invadiram o Iraque, em março de 2003, os soldados americanos tomaram imediatamente este palácio e estabeleceram seu quartel-general no edifício.

Ele foi a sede da Autoridade Provisória da Coalizão (CPA), que dirigiu o país até junho de 2004. Depois da dissolução da CPA, o departamento de Estado americano instalou sua embaixada no edifício.

O Palácio se tornou o epicentro da 'Zona Verde', o setor superprotegido no centro de Bagdá onde ficam as sedes das administrações iraquianas, a repartição da ONU e as principais embaixadas ocidentais.

Com o fim do mandato da ONU e a entrada em vigor de acordos bilaterais de segurança assinados entre Bagdá, Londres e Washington, as autoridades terão um controle maior sobre sua segurança, mesmo se as tropas estrangeiras, e principalmente os 146.000 soldados americanos, permanecerão no Iraque.

Os Estados Unidos, que representam 95% das tropas da coalizão, assinaram em novembro um acordo com Bagdá que prevê a retirada total de seu contingente militar até o fim de 2011.

Já a Grã-Bretanha e seus 4.100 homens encerrarão sua missão no Iraque em maio, antes de uma retirada total no fim de julho de 2009. Os britânicos transmitiram nesta quinta-feira aos iraquianos o controle do aeroporto de Basra (sul), onde estão estabelecidos.

"Os iraquianos são agora responsáveis pela segurança do Iraque. Contudo, é óbvio que haverá uma estreita coordenação com as forças da coalizão", declarou recentemente o porta-voz da coalizão, o general David Perkins.

Em virtude do acordo assinado por Washington e Bagdá, as tropas americanas precisam agora do aval dos iraquianos para empreender qualquer operação militar. Além disso, os americanos não podem mais prender suspeitos sem mandato da justiça iraquiana.

Por sua vez, os iraquianos poderão levar ante a justiça de seu país os soldados americanos que cometerem um crime fora de suas bases militares.

ak/yw

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