Por Ahmed Rasheed BAGDÁ (Reuters) - Um jornalista iraquiano que ficou mundialmente famoso em dezembro passado por atirar seus sapatos contra o então presidente dos EUA, George W. Bush, foi solto na terça-feira.

Muntazer Al Zaidi, que se tornou símbolo da ira de muitos iraquianos contra Bush, foi recepcionado no lado de fora da prisão por parlamentares que o apoiam, segundo seu irmão Uday.

Zaidi foi sentenciado a três anos de prisão por agredir um chefe de Estado, mas a pena foi posteriormente reduzida a um ano.

"Hoje estou novamente livre, mas minha casa ainda é uma prisão", disse ele a jornalistas, aludindo ao fato de que o Iraque continua sob ocupação militar norte-americana.

A TV Al Baghdadiya mostrou Zaidi chegando à sede da emissora, onde ele trabalha, enrolando em uma bandeira iraquiana e usando óculos escuros. Estava cercado por guardas.

Para celebrar a libertação, funcionários do canal abateram pelo menos três carneiros.

"A ocupação nos invadiu sob o pretexto da libertação. Ela dividiu irmãos, vizinhos, fez das nossas casas infinitas tendas para funerais, e das nossas ruas, cemitérios", disse ele, referindo-se aos conflitos sectários dos primeiros anos após a invasão.

Milhões de pessoas no mundo todo viram no ano passado as imagens em que Zaidi, durante uma entrevista coletiva com Bush, atirava sucessivamente dois sapatos contra o político, que se esquivou. Na ocasião, ele também ofendeu o então presidente chamando-o de "cachorro".

A Justiça determinou na segunda-feira que Zaidi fosse solto por já ter cumprido três quartos da pena, ser réu primário e ter bom comportamento.

Explicando sua explosão, Zaidi disse que se sentiu "humilhado por ver meu país queimado e meu povo sendo morto". O fato provocou grande constrangimento para Bush e para o primeiro-ministro Nuri Al Maliki, que estava ao lado de Bush e tentou interceptar um dos sapatos.

"Graças a Deus Muntazer pôde ver a luz do dia", disse o irmão Uday. "Eu queria que Bush pudesse ver nossa felicidade. Quando o presidente Bush olhar para trás e virar as páginas da sua vida, ele verá os sapatos de Muntazer al Zaidi em todas as páginas."

O ataque foi celebrado por muita gente não só no Iraque, mas até mesmo nos EUA.

Na Venezuela, o presidente Hugo Chávez o chamou de corajoso. Na Líbia, um grupo comandado por uma filha do dirigente Muammar Khadaffi concedeu um prêmio ao jornalista. Em vários países árabes, homens ofereceram suas filhas em casamento a Zaidi.

Na casa da família, parentes e admiradores o esperavam com aplausos e gritos. "Eu me sinto orgulho, porque Zaidi vive no meu bairro. Gosto de contar isso às pessoas", disse Arkan al Fartousi, 25, que levava um galão de suco que servia a simpatizantes sedentos. "Estou muito feliz por ele ter saído da cadeia."

(Reportagem adicional de Suadad al-Salhy, Khalid al-Ansary e Reuters Television)

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