Iraque vive dia mais violento após retirada parcial dos EUA

Bagdá, 9 jul (EFE).- Mais de 40 pessoas morreram hoje no Iraque em vários atentados suicidas, no dia mais violento desde a retirada das tropas americanas dos centros urbanos do país, no final de junho.

EFE |

O incidente mais grave aconteceu na localidade de Tal Afar, na casa do chefe local de investigações criminais, onde um desconhecido acionou seu cinto de explosivos.

Pouco depois deste atentado, quando as pessoas juntavam no local para ver o que tinha ocorrido, um novo suicida, com outro cinto de explosivos, o acionou no mesmo lugar, disseram à Agência Efe fontes policiais.

As duas explosões, com poucos minutos de diferença, deixaram 35 mortos e cerca de 70 feridos, segundo um saldo provisório de vítimas. Entre as vítimas fatais, estão o funcionário policial e sua esposa.

Nenhum grupo assumiu a autoria imediatamente por este duplo atentado, mas já embora na zona grupos vinculados à Al Qaeda.

Tal Afar, uma pequena localidade onde convivem curdos, turcomanos e árabes, fica no extremo noroeste do Iraque, cerca de 80 quilômetros ao oeste da cidade de Mossul.

Pouco depois da notícia do duplo atentado em Tal Afar, em Bagdá, no bairro xiita de Cidade de Sadr, duas bombas explodiram, matando sete pessoas e ferindo outras 20, segundo fontes policiais.

Estas duas bombas explodiram em um mercado popular desse setor da capital, quando o local estava cheio de pessoas que faziam as compras pela manhã.

Cidade de Sadr é um reduto do clérigo xiita Moqtada al-Sadr, contrário à presença das tropas americanas no Iraque.

Também hoje, o presidente do Banco Central do Iraque, Sinan al-Shibibi, saiu ileso de uma tentativa de assassinato no centro desta capital, mas o atentado deixou cinco feridos, informaram à Agência Efe fontes policiais.

Segundo as fontes, uma carga explosiva foi detonada na passagem do veículo onde Shibibi transitava pelo bairro comercial de Karrada, de maioria xiita, e deixou dois dos seguranças do funcionário e três civis feridos.

É a primeira vez que o presidente do Banco Central do Iraque é alvo de uma tentativa de assassinato. Suas funções são estritamente econômicas, sem vinculações políticas.

Centenas de responsáveis governamentais e de deputados foram assassinados nos últimos seis anos no Iraque, desde a derrubada do regime de Saddam Hussein, em abril de 2003.

A violência de hoje se junta a uma série de atentados ocorrida ontem, que deixaram mais de 20 mortos e 50 feridos, segundo fontes policiais.

O atentado mais grave de ontem aconteceu perto de uma mesquita xiita da cidade de Mossul, cerca de 400 quilômetros ao norte de Bagdá, onde 19 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas devido à explosão de um carro-bomba, segundo um saldo de vítimas atualizado hoje.

Também houve outros atentados em Mossul, Zammar e Musayyib, neste último local, quando acontecia um casamento.

A série de atos violentos acontece poucos dias depois de os soldados dos Estados Unidos completarem sua retirada das cidades do Iraque, de acordo com os compromissos de segurança assinados por Bagdá e Washington em 13 de dezembro do ano passado.

A retirada de todas as tropas acontecerá no final de 2011.

Os fatos violentos registrados nas últimas horas no Iraque foram precedidos por uma mensagem de áudio atribuída ao líder de um grupo ligado à Al Qaeda, Abu Omar al-Baghdadi, no qual pediu para intensificar a luta contra xiitas e americanos.

"Mesmo que estejam em um lugar remoto do deserto iraquiano, longe de qualquer forma de vida, todo muçulmano deve lutar (contra xiitas e EUA) até tirá-los dali", diz a gravação.

A mensagem, divulgada em um fórum na internet usado por grupos islâmicos e onde costumam aparecer vídeos e comunicados de todos os braços da Al Qaeda, faz uma chamada para recrutar novos ativistas a fim de intensificar luta.

As autoridades iraquianas afirmam que Baghdadi está preso desde abril, mas seu grupo nega essa detenção. Também há conjeturas sobre que esse nome possa ser usado por várias pessoas ou seja utilizado por um grupo. EFE am/an

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