O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, ordenou a revisão das medidas de segurança no país após os piores ataques a bomba no país em mais de um ano, que mataram 95 pessoas em uma série de explosões na capital, Bagdá, nesta quarta-feira.


Reuters

Iraquianos observam carros queimados em Bagdá

"Os atos criminosos de hoje nos fazem reavaliar nossos planos e mecanismos de segurança para enfrentar o desafio imposto pelo terrorismo e aumentar a cooperação entre as forças de segurança e o povo iraquiano", disse Maliki. O premiê disse que os ataques seriam responsabilidade de uma aliança entre a Al-Qaeda e simpatizantes do ex-líder iraquiano, Saddam Hussein.

Um porta-voz do Exército iraquiano afirmou ainda que supostos membros da rede extremista Al-Qaeda teriam sido presos em um distrito de Bagdá por envolvimento com os ataques.

Já Saad Yousef Al-Muttalabi, um conselheiro do governo iraquiano, alegou que instituições religiosas baseadas na Arábia Saudita teriam ajudado a financiar os ataques coordenados.

Segundo ele, algumas instituições sauditas enxergam os iraquianos como "pouco crentes" e alvos legítimos de ataques.

Ataques

Nesta quarta-feira, um caminhão-bomba foi detonado em frente ao Ministério do Exterior, abrindo uma enorme cratera no chão nas proximidades da Zona Verde - área considerada uma das mais seguras da capital, onde estão localizados embaixadas e prédios do governo.

Outro carro-bomba explodiu perto do Ministério das Finanças.

Ao menos quatro outras explosões - possivelmente foguetes disparados por insurgentes - foram registradas na cidade.

A violência de insurgentes diminuiu recentemente no Iraque, mas ataques continuam comuns em várias cidades. Bagdá foi palco de vários ataques desde que as forças iraquianas assumiram a responsabilidade pela segurança da cidade.

Segundo a correspondente da BBC em Bagdá Natalia Antelava, entretanto, a maioria dos ataques recentes em Bagdá se concentrava em áreas pobres de maioria xiita.

Os atentados desta quarta-feira foram os primeiros coordenados em áreas centrais da cidade em meses, afirmou ela.

A onda de violência ocorre exatamente seis anos depois do primeiro grande atentado a ocorrer no Iraque, após a derrocada de Saddam Hussein.

No dia 19 de agosto de 2003, o quartel-general da ONU em Bagdá foi atingido por um caminhão-bomba, que matou 22 pessoas, entre elas o brasileiro Sergio Vieira de Mello, chefe da missão da ONU no país.

Nos últimos seis anos, dezenas de milhares de pessoas morreram em ataques no país.

Veja reportagem em vídeo sobre os atentados:

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