Iraque segue sem promessa de vizinhos para cancelar dívida e abrir embaixadas

Abu Dhabi, 22 abr (EFE).- Os países vizinhos do Iraque concluíram nesta terça-feira a conferência ministerial no Kuwait com um pedido do apoio de Bagdá, sem nenhum compromisso claro dos árabes, para cancelar a dívida iraquiana e abrir embaixadas no país.

EFE |

A conferência contou com a participação de representantes dos países do G8 (sete países mais industrializados e a Rússia), de Nações Unidas, União Européia (UE), Liga Árabe e do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico (CCG).

O chefe da diplomacia do Kuwait, Muhamad al-Sabah, afirmou que o próximo encontro desses países - Arábia Saudita, Irã, Turquia, Jordânia, Síria e Kuwait - acontecerá no Iraque, algo que classificou como o "resultado mais importante da reunião".

Outro resultado é a confirmação do controle do Governo iraquiano de todo o seu terriório, sinalizando uma melhora na situação da segurança, segundo Sabah.

O Kuwait foi o único país árabe a confirmar hoje que terá uma embaixada na Zona Verde, em Bagdá, mas não disse quando, apesar de o chanceler kuwaitiano reiterar que está "esperando que (Iraque e Kuwait) nomeiem seus embaixadores".

A abertura de embaixadas árabes no Iraque e o cancelamento da dívida do país, estimada em US$ 40 bilhões, é uma exigência dos Estados Unidos e do Governo do primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, como apoio ao Executivo de Bagdá.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, falou sobre um "apoio político e econômico" ao Iraque durante a reunião de hoje e em seu encontro de ontem em Manama (capital bareinita) com os aliados árabes de Washington (Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Omã, Catar, Kuwait, Barein e Emirados Árabes Unidos).

Maliki, por sua vez, deixou claro nesta terça, no Kuwait, que esse apoio árabe é imprescindível para o processo político e de reconstrução no Iraque.

"O intercâmbio diplomático contribuirá para consolidar a segurança e a estabilidade", disse Maliki, após pedir que os vizinhos de seu país "reforcem a segurança da fronteira", para evitar a infiltração de terroristas.

Maliki também pediu a suspensão das indenizações pagas por Bagdá aos afetados pela ocupação do Kuwait durante seis meses, entre 1990 e 1991, pelo Exército do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein.

Em entrevista coletiva ao término da reunião, Sabah disse que o tema das indenizações "é um assunto das Nações Unidas", que essa organização internacional é que "deve decidir sobre essa questão".

Sobre a dívida iraquiana, Sabah disse que o seu país mantém contatos com o Iraque a respeito disse, mas que "o assunto também é examinado pelo Governo e pelo Parlamento" kuwaitianos.

Os ministros presentes à conferência no Kuwait aprovaram um comunicado final no qual reiteram que "todos os Estados, especialmente os vizinhos do Iraque, abram embaixadas e enviem diplomatas a esse país".

O documento também pede colaboração com o Governo iraquiano na luta contra o terrorismo e apoio ao processo político e à reconciliação nacional no Iraque, e elogia os esforços do Executivo de Bagdá para desarmar as milícias.

À margem da conferência sobre o Iraque, o Kuwait recebeu uma reunião sobre o Líbano, na qual chanceleres e representantes de EUA, França, Reino Unido, Itália, Alemanha, Egito, Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, assim como a ONU, a UE e a Liga Árabe.

Os participantes pediram a eleição "imediata e incondicional" do comandante-em-chefe do Exército libanês, general Michel Suleiman, como presidente do país para pôr fim à crise vivida pelo Líbano desde novembro.

Também foi pedida a formação de um Governo de união nacional e a realização de eleições gerais, além do diálogo entre os diferentes grupos políticos libaneses, tal como exige e iniciativa da Liga Árabe. EFE fa/wr/plc

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