Bagdá, 19 dez (EFE).- O Iraque se despede de 2009 dando mais atenção às próximas eleições, que escolherão um novo Governo cuja missão será afiançar a segurança e a estabilidade do país, enquanto as tropas americanas continuam a retirada que iniciaram em janeiro passado.

No começo de 2009 começou a tendência que marcaria o passo nos meses seguintes: a progressiva retirada das tropas americanas, cuja saída parcial está prevista para agosto de 2010 e a total para dezembro de 2011.

No dia 1º de janeiro, o Exército iraquiano assumia a responsabilidade de manter a segurança da chamada Zona Verde de Bagdá, a área mais fortificada do país.

"Temos o direito de considerar esta data como um dia-chave para o restabelecimento de nossa soberania e o começo da recuperação de cada polegada de nosso solo", afirmava então o primeiro-ministro, Nouri al-Maliki.

A partir desse momento, e em cumprimento de um pacto de segurança assinado em dezembro de 2008 por Washington e Bagdá, continuou a transferência de responsabilidades, embora não isenta de dúvidas sobre a capacidade do Iraque de garantir a segurança.

O presidente da região autônoma do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, advertiu em fevereiro que uma retirada americana precipitada poderia desembocar em uma guerra civil.

Além disso, a morte de uma centena de pessoas em uma série de atentados semanas antes da retirada americana das cidades, somada às continuadas disputas sobre a soberania de Kirkuk, reivindicada por curdos e árabes, aumentou novamente estes medos.

No entanto, como estava previsto, em 30 de junho as tropas dos Estados Unidos abandonavam todos os centros urbanos do país e cediam os trabalhos de segurança às autoridades iraquianas, em um novo marco em direção a sua retirada total.

Após sua retirada, os números de vítimas fatais continuaram caindo e inclusive chegaram a mínimos históricos, com 88 civis mortos em novembro.

No entanto, estes avanços não acabaram com todas as dúvidas, especialmente após os tentados ocorridos em 19 de agosto e 25 de outubro contra prédios governamentais, nos quais morreram cerca de 300 pessoas e que evidenciaram as limitações das forças iraquianas.

Após o ocorrido, aconteceu uma reformulação da estratégia de segurança, responsabilidades foram depuradas e se renovou o compromisso de acabar com a Al Qaeda e o ilegalizado partido de Saddam Hussein, enquanto o olhar se concentrava nas eleições gerais de 2010.

Apesar do declarado interesse, a data deste pleito, previsto em um primeiro momento para meados de janeiro, continua sendo uma incógnita, devido às diferenças sobre a lei eleitoral aprovada pelo Parlamento em novembro, após semanas de discussões.

Por um lado, o vice-presidente sunita, Tareq al-Hashemi, exigiu que o aumento da representação dos iraquianos expatriados, e, por outro, o Governo do Curdistão ameaçou boicotar as eleições se não acontecer uma revisão das cadeiras que correspondem a cada província.

Enquanto a incerteza continua, os principais grupos já buscaram novas alianças para enfrentar o pleito que desenhará o mapa político de 2010.

Os atritos existentes entre os dirigentes da atual aliança de Governo, que ficaram patentes nas eleições municipais de janeiro nas quais Maliki saiu fortalecido, desembocaram na ruptura entre os parceiros do Executivo.

Para o pleito de 2010, Maliki criou a Coalizão do Estado de Direito, em resposta à formação da frente Aliança Nacional Iraquiana, dirigida pelo ex-primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari e que reúne os principais grupos da atual coalizão governamental. EFE am-ah-jfu/mh

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