Iraque quer que o histórico acordo com os EUA seja aprovado em referendo

As últimas horas de negociações do acordo com os Estados Unidos para regulamentar a presença militar americana no Iraque, que será apresentado nesta quinta-feira ao parlamento iraquiano, estiveram marcadas por um efeito dramático - a exigência de Bagdá para que seja aprovado em referendo.

AFP |

Segundo o conselheiro iraquiano para a Segurança Nacional, Muaffak al-Rubaye, em declarações à rede de TV Al-Arabiya, o Iraque vai organizar no dia 30 de julho uma votação sobre o acordo de segurança com os Estados Unidos,.

"O povo iraquiano terá no dia 30 de julho a oportunidade de se pronunciar sobre este acordo, após seis meses de aplicação", comentou.

Questionado pela AFP, o deputado xiita Reza Jawad Taki, da Aliança Unificada Iraquiana (AUI), o maior grupo parlamentar, afirmou que "se o povo iraquiano rejeitar o acordo, o governo deverá invalidá-lo, ou talvez renegociá-lo" com os Estados Unidos.

Esta era uma das condições impostas pela Frente da Concórdia Nacional, o principal grupo sunita no Parlamento, e que possui 39 deputados, para votar em favor do acordo.

"Foi decidido que um referendo será organizado ao mais tardar no dia 30 de julho", confirmou o chefe deste grupo parlamentar, Iyad al-Samarrai. "A votação é importante porque o acordo é importante, e o povo iraquiano tem que ter o direito de opinar a respeito", destacou.

Conscientes de que o presidente Jalal Talabani, o primeiro-ministro Nuri al Maliki e o Grande aiatolá Ali Sistani, líder espiritual da comunidade xiita, queriam que o acordo recebesse o respaldo de uma ampla maioria, os partidos curdos e sunitas aumentaram as exigências nesta quarta-feira.

Assim, o dia foi dedicado às negociações, até que o presidente do parlamento, Mahmud Al Machhadani, anunciou à noite que "o clima geral" era de consenso e que os líderes políticos haviam resolvido "todos os pontos de discussão" exceto um, pelo que a sessão ficava adiada para a manhã de quinta-feira.

"Dispomos de votos suficientes no parlamento para aprovar o acordo por maioria simples", mas "não queremos que seja aprovado por apenas três ou quatro votos de diferença. Por isso, nos esforçamos para reunir uma ampla maioria", explicou à AFP o vice-presidente do parlamento, Jaled al Atiya.

Segundo o site da União Patriótica do Curdistão, os curdos solicitaram estabelecer novas relações com Bagdá, o que significa mais autonomia.

Já os sunitas querem participar mais ativamente da tomada de decisões e exigem a anulação da lei para eliminar da administração os antigos membros do partido Baath de Saddam Hussein.

A Casa Branca se diz esperançosa de que o Parlamento iraquiano aprove o acordo.

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