Iraque quer mudança em acordo sobre tropas; EUA relutam

BAGDÁ - O Iraque reclamou, nesta terça-feira, mudanças no texto do novo acordo relativo à presença militar dos Estados Unidos, já que a versão original, negociada durante meses, não foi aprovada pelas lideranças políticas do país. Os EUA se disseram relutantes à idéia.

Reuters |

A demanda iraquiana, se atendida, significa a reabertura das negociações, concluídas na semana passada com um plano que previa a retirada das forças dos EUA até o final de 2011. Aparentemente, as objeções dizem respeito a detalhes, e não aos termos gerais.

"O gabinete concordou que emendas necessárias ao pacto podem torná-lo nacionalmente aceitável", disse à Reuters o porta-voz Ali Al Dabbagh após uma reunião do gabinete. "O gabinete vai continuar suas reuniões (nos próximos dias), e os ministros darão suas opiniões, farão consultas e apresentarão as emendas sugeridas. Então isso será passado à equipe negociadora norte-americana."

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, expressou uma "grande relutância" diante da possibilidade de alterar-se o acordo preliminar com o governo iraquiano, que governaria a presença das tropas dos EUA no país após 31 de dezembro.

"Há uma grande relutância em avançar mais no processo preliminar", disse Gates a jornalistas em Washington. "Eu não acho que a porta esteja trancada, mas eu diria que ela está quase fechada", acrescentou.

Gates alertou que, se não houver um novo acordo sobre o status das forças ou uma renovação do atual mandato da ONU sobre as tropas dos EUA isso significará que "basicamente pararemos de fazer qualquer coisa".

Até sábado, o governo iraquiano dizia que o texto não seria renegociado, mas no domingo líderes de diversos partidos retiraram seu apoio.

Pelo texto original, os EUA só permaneceriam no Iraque após 2011 se Bagdá pedisse, e a Justiça iraquiana teria autoridade para julgar militares norte-americanos que cometam crimes em suas horas de folga.

Atualmente, as tropas estrangeiras operam sob um mandato da ONU, que expira ao final do ano.

Só os grupos curdos deram apoio incondicional ao texto. Os demais rejeitaram alguns detalhes, como o mecanismo para julgar soldados dos EUA.

O deputado xiita Humam Hamoudi disse que o próprio primeiro-ministro Nuri Al Maliki, que ainda não se pronunciou em público, tem restrições.

"O primeiro-ministro disse: 'O que (os norte-americanos) deram com a mão direita eles tiraram com a esquerda. Por exemplo, disseram que as forças dos EUA vão se retirar das cidades até junho de 2009 se a situação de segurança permitir. Mas quem vai decidir isso?'", relatou Hamoudi.

Facções xiitas rivais ao governo, assim como o regime islâmico do vizinho Irã, também se opõem ao tratado, por estabelecer uma presença norte-americana de longo prazo.

Uma fonte governamental não-xiita disse que a demora no acordo se deve a políticos xiitas que estão sendo pressionados pelo Irã. "Não há outra explicação, especialmente porque foram os xiitas que o negociaram."

Membros do governo Bush prestaram informações na sexta-feira sobre o acordo a membros do Congresso (inclusive os dois senadores que são candidatos a presidente). O acordo não necessita de aprovação parlamentar, mas a Casa Branca quer garantir amplo apoio ao texto.

O chanceler iraquiano Hoshiyar Zebari, que é curdo e se manteve leal ao acordo, disse que dificilmente ele será aprovado antes da eleição presidencial norte-americana do dia 4.

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