Autoridades iraquianas informaram que prenderam 61 integrantes das forças de segurança do país por envolvimento com os ataques coordenados em Bagdá no domingo, que mataram 155 pessoas e feriram outras 500.

De acordo com o repórter da BBC em Bagdá, Gabriel Gatehouse, entre os detidos estão os comandantes de 15 pontos de fiscalização na área onde as explosões ocorreram. Destes, 11 são oficiais de alta patente.

Todos os 61 detidos passaram por interrogatório. Gatehouse afirma que ainda não foi esclarecido se os oficiais detidos foram acusados de negligência ou conivência.

No entanto, segundo o correspondente, os ataques parecem confirmar o que muitos já suspeitavam, que as forças de segurança iraquianas são suscetíveis à infiltração por insurgentes ou simplesmente não estão prontas para realizar seu trabalho no país.

Os ataques coordenados de domingo, próximos a ministérios do governo e à sede do governo da província, foram os mais violentos desde abril de 2007. Homens-bomba detonaram dois veículos - um caminhão e um carro.

Ajuda

Gabriel Gatehouse afirma que muitos iraquianos acreditam que as duas grandes bombas não poderiam ter passado pela segurança que cerca o bairro administrativo no centro de Bagdá sem ajuda das próprias forças de segurança do país.

O ministro do Exterior iraquiano Hoshyar Zebari afirmou em entrevista à BBC que quer que a ONU investigue a possível participação de outros países nos atentados, acusando a Síria de fornecer refúgio para os suicidas, o que o governo sírio negou.

"Temos provas sólidas, concretas de seu papel nos ataques de agosto e de seu papel até no atentado de domingo. São as mesmas pessoas, os mesmos que realizaram o ataque de domingo, 25 de outubro", afirmou.

Os ataques coordenados, perto da sede de governo da província e dos ministérios, ocorreram num momento em que os parlamentares iraquianos se encontram em um impasse sobre quais regras deverão ser implementadas para as próximas eleições gerais de janeiro de 2010.

O Parlamento iraquiano tem até 31 de outubro para encerrar o impasse gerado por diferenças entre facções árabes e curdas a respeito da cidade de Kirkuk, no norte do país.

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