Iraque prende mais de 30 funcionários do Ministério do Interior

Por Aseel Kami BAGDÁ (Reuters) - Diversos oficiais militares subordinados ao Ministério do Interior iraquiano foram presos sob acusação de tentarem reconstruir o partido Baath, do ex-ditador Saddam Hussein, disse um porta-voz do órgão na quinta-feira.

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No mesmo dia, o jornal The New York Times disse que uma força antiterrorista de elite, subordinada diretamente ao primeiro-ministro Nuri Al Maliki, prendeu até 35 oficiais, alguns dos quais acusados de tramar um golpe de Estado.

O general Abdul Karim Khalaf disse que os detidos seriam integrantes do partido Awda ("retorno"), considerado uma reencarnação do outrora onipotente Baath.

Khalaf disse à Reuters que bem menos de 35 pessoas foram presas, e que estas - com patentes entre tenente e general-de-brigada - estão sendo "interrogadas sob supervisão do Judiciário iraquiano". Khalaf não confirmou a suposta tentativa de golpe.

O general Alaa Al Taei, chefe de relações públicas do ministério, negou que houvesse movimentação para derrubar o governo. O que se suspeita, segundo ele, é que o grupo planejasse incendiar a sede do ministério para promover uma queima de arquivos.

Enquanto a violência sectária tem diminuído nos últimos meses, o clima de disputa política vem se intensificando com vistas às eleições municipais de janeiro.

Fontes ligadas ao Ministério do Interior se mostraram céticas quanto à possibilidade de um golpe de Estado, possibilidade citada nas últimas semanas por autoridades locais e norte-americanas. O Iraque passou a maior parte da sua curta história como Estado independente sob regimes autoritários.

Funcionários do governo dos EUA disseram nas últimas semanas que as autoridades iraquianas tem um histórico de promover prisões para consolidar seus poderes. Eles disseram que o Ministério do Interior está dando passos importantes para eliminar milicianos e funcionários corruptos de seus quadros, mas afirmaram que também nesse órgão ainda ocorrem detenções com motivações políticas.

(Reportagem adicional de Joanne Allen em Washington; Waleed Ibrahim, Aseel Kami e Missy Ryan em Bagdá)

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