Iraque nega licença a empresa dos EUA acusada de matar civis

BAGDÁ - O Iraque negará licença para que a empresa de segurança Blackwater Worldwide continue operando no país, disseram autoridades norte-americanas e iraquianas na quinta-feira. A Blackwater atrai o ódio da população local desde que foi acusada de matar civis ao prestar proteção a diplomatas norte-americanos.

Reuters |

"A licença operacional para a firma Blackwater não será renovada. Sua chance é zero", disse Alaa Al Taie, diretor do departamento de imprensa do Ministério do Interior. "Não é aceitável para os iraquianos e há base legal contra (a renovação), como o assassinato de iraquianos com as suas armas."

Contratada pelo Departamento de Estado, a Blackwater emprega centenas de guardas fortemente armados, com uma frota de helicópteros e veículos blindados, para proteger diplomatas dos EUA no Iraque. Ela se gaba de que nenhum norte-americano até hoje foi morto sob sua proteção.

Mas, em setembro de 2007, agentes da empresa provocaram um grave incidente diplomático ao abrirem fogo no meio do trânsito, matando pelo menos 14 civis.

Um guarda da empresa declarou-se culpado de homicídio culposo e tentativa de homicídio culposo perante uma corte dos EUA. Cinco outros devem ser julgados no ano que vem. A empresa nega qualquer crime.

Uma fonte da embaixada dos EUA confirmou que a missão diplomática foi informada de que a licença da Blackwater não será renovada. Um novo esquema de segurança está sendo preparado, segundo essa fonte.

"Não temos detalhes sobre datas. Estamos trabalhando com o governo do Iraque e com nossos contratados para tratar das implicações dessa decisão", disse a fonte.

Anne Tyrrell, assessora de imprensa da empresa, disse que a Blackwater apresentou a documentação para a renovação da licença e não foi oficialmente informada do resultado.

"A Blackwater sempre disse que continuará o importante trabalho de proteger funcionários do governo dos EUA no Iraque enquanto nosso cliente assim solicitar, e de acordo com a lei iraquiana. Isso não mudou", disse ela.

A presença das empresas de segurança, às vezes tão bem armadas quanto os militares, é comum no país desde a invasão norte- americana de 2003. As autoridades norte-americanas de ocupação na época concederam imunidade aos agentes perante a lei iraquiana, o que permaneceu em vigor até o começo deste ano.

As licenças das empresas de segurança devem ser renovadas a cada seis meses.

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