Iraque intensifica segurança em peregrinação; atentado mata um

Por Sami al-Jumaili KERBALA, Iraque (Reuters) - Uma bomba atingiu um microônibus de peregrinos xiitas que se dirigiam para a cidade sagrada de Kerbala (Iraque), na sexta-feira, matando uma pessoa e deixando outras nove feridas.

Reuters |

A ação ocorreu mesmo depois de o governo iraquiano ter mobilizado mais de 40 mil soldados e policiais a fim de evitar a ocorrência de novos ataques nesse festival religioso que acontece todos os anos.

O atentado, segundo a polícia, atingiu a parte leste de Bagdá enquanto milhares de fiéis dirigem-se a Kerbala a fim de celebrar o nascimento do imã al-Mehdi, uma figura reverenciada pelos muçulmanos xiitas.

Perto da cidade de Iskandariya, colchões ensanguentados e uma pilha de sapatos podiam ser vistos ao lado de uma rua onde 19 pessoas foram mortas e 75, feridas em uma ataque realizado por uma mulher-bomba, que detonou seu colete de explosivos dentro de um grupo de peregrinos. O grupo havia parado ali para jantar.

Os fiéis reuniram perto do local as abayas pretas -- vestes tradicionais -- usadas pelas muçulmanas mortas.

As forças de segurança iraquianas, com o apoio de helicópteros e centenas de franco-atiradores postados no teto de casas, prometeram revistar os peregrinos e usar cães farejadores na busca por explosivos.

As ações integram um grande esforço para evitar o derramamento de sangue que continua a manchar esse tipo de evento religioso mesmo depois de o número de incidentes violentos ter diminuído bastante no Iraque.

'Montamos várias torres de observação e temos câmeras colocadas em áreas abertas, nos cruzamentos e nos maiores pontos de entrada', disse o chefe da polícia de Kerbala, major-general Raad Shakir.

A peregrinação é um dos vários eventos anuais que se transformaram em uma demonstração de força da parte da maioria xiita do Iraque depois da deposição do ditador Saddam Hussein, um sunita que restringiu a prática religiosa dos xiitas. Essas mobilizações costumam ser alvo da ação de milicianos sunitas.

Atentados suicidas realizados em Bagdá e Kerbala durante a peregrinação de 2004 mataram 171 pessoas. No incidente mais violento da guerra iniciada no Iraque depois da invasão norte-americana, mais de mil peregrinos foram mortos durante um tumulto ocorrido em uma ponte e provocado pelo rumor de que havia um homem-bomba ali.

Durante a última grande peregrinação xiita em Bagdá, no mês passado, três mulheres-bomba mataram quase 30 fiéis.

A participação de mulheres nesse tipo de ataque tornou-se mais comum neste ano no Iraque, onde as forças norte-americanas responsabilizam os militantes da Al Qaeda, um grupo sunita, de usá-las porque elas conseguiriam escapar com mais facilidade dos esquemas de segurança.

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