Iraque insiste em cronograma para retirada norte-americana

Por Ahmed Rasheed e Mohammed Abbas BAGDÁ (Reuters) - O Iraque não aceitará nenhum acordo de segurança com os EUA do qual não constem datas para a retirada das forças estrangeiras, afirmou na terça-feira o conselheiro nacional de segurança do governo iraquiano.

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Os comentários feitos por Mowaffaq al-Rubaie chamam atenção para a postura menos flexível adotada pelo governo do Iraque, um aliado dos EUA, em suas negociações sobre um acordo capaz de dar base legal à presença de soldados norte-americanos naquele país depois de expirar, no final do ano, o atual mandato da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na segunda-feira, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, pareceu ter pegado os EUA de surpresa ao sugerir, pela primeira vez, a fixação de um cronograma para a retirada das forças norte-americanas no acordo negociado atualmente, que chamou de um 'memorando de intenções.'

Segundo Rubaie, o Iraque aguarda 'ansiosamente pelo dia em que todos os soldados estrangeiros terão deixado' seu território.

'Não podemos ter um memorando de intenções com as forças estrangeiras a menos que esse documento estipule datas e horizontes claros determinando a partida das forças estrangeiras. Estamos falando claramente a respeito da retirada delas', afirmou Rubaie na cidade de Najaf, sagrada para os xiitas.

O conselheiro conversou com os repórteres depois de se encontrar com o principal clérigo xiita do Iraque, grande aiatolá Ali al-Sistani.

Rubaie disse que havia conversado com Sistani sobre as negociações com os norte-americanos, mas não especificou se o clérigo havia manifestado alguma opinião sobre esse processo.

O líder religioso, uma figura reverenciada, costuma ser consultado a respeito das principais questões do país.

'Eu informei-os (os líderes religiosos) sobre alguns dos avanços nas negociações. Há muitos problemas e dificuldades, e nós nos deparamos com muitos obstáculos à nossa frente. Há uma grande diferença de opinião entre nós e os norte-americanos', disse Rubaie.

O atual governo dos EUA, comandado pelo presidente George W.Bush, sempre se opôs à fixação de um cronograma de retirada, afirmando que isso daria a chance aos grupos militantes de ficarem escondidos à espera da saída dos 150 mil soldados norte-americanos do Iraque.

Na terça-feira, a Casa Branca disse que o processo não tinha por objetivo fixar um prazo determinado para a retirada.

'As negociações e discussões realizam-se diariamente', disse o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe, no Japão, onde Bush participa da cúpula do Grupo dos Oito (G8).

'O importante é compreender que essas negociações não tratam de fixar uma data específica para a retirada.'

O controle sobre as operações militares e o espaço aéreo conta-se entre os pontos de divergência, junto com a detenção de prisioneiros.

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