As autoridades eleitorais iraquianas apuravam os votos nesta segunda-feira, depois de uma eleição parlamentar marcada por atentados que mataram 38 pessoas no domingo.

Os resultados preliminares devem ser divulgados só na terça ou quarta-feira. A chapa eleitoral chamada Estado da Lei, do primeiro-ministro Nuri Al-Maliki, afirma liderar em Bagdá e no sul, de maioria xiita. Ao menos no sul, contagens informais dos votos parecem corroborar esse resultado.

Mas Maliki enfrenta a forte oposição de seus ex-aliados da Aliança Nacional Iraquiana, também formada por xiitas. O poderoso Conselho Islâmico Supremo Iraquiano, que é parte dessa coalizão, disse que os primeiros resultados indicam forte divisão entre a Aliança Nacional e o grupo de Maliki.


Iraquianos são revistados na porta de local de votação / AP

A lista laica e plurissectária do ex-premiê Iyad Allawi, que tinha apoio de muitos membros da minoria sunita, aparece em terceiro lugar, segundo o site do Conselho Islâmico Supremo.

No Curdistão iraquiano, o novo partido Goran está desafiando a União Patriótica do Curdistão, do presidente Jalal Talabani, um dos dois grupos que há décadas dominam a política curda.

O resultado pode diminuir a influência da União Patriótica e do Partido Democrático do Curdistão em eventuais discussões sobre uma coalizão em Bagdá. No passado, a relativa coesão dos curdos lhes permitia ser o fiel da balança na política iraquiana.

Não foram divulgados dados gerais sobre o comparecimento às urnas, mas autoridades afirmaram que ela foi de 61% na enorme província sunita de Anbar e 70% em Kirkuk, província petroleira do norte iraquiano, cenário de disputas entre árabes e curdos.

A presença sunita no pleito servirá de indicativo sobre a inclusão política desse grupo, que se sente alienado depois de perder, desde 2003, os privilégios que detinha no regime de Saddam Hussein.

Muitos sunitas se sentiram discriminados por uma comissão, liderada por xiitas, que vetou cerca de 500 candidatos por suposta ligação com o proscrito partido Baath, de Saddam.

Na última eleição parlamentar geral, em 2005, xiitas e curdos conquistaram ampla maioria.

Alguns políticos, especialmente Allawi, criticaram o andamento do pleito, mas observadores estrangeiros disseram reservadamente que, ao menos em nível técnico, aparentemente tudo correu bem.

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