Iraque ganha estabilidade e começa a imaginar futuro sem tutela americana

Bagdá, 20 dez (EFE).- Com níveis de violência em constante redução e forças de segurança que aos poucos recuperam o controle do país, o Iraque começa pela primeira vez a imaginar um futuro estável e afastado da tutela americana.

EFE |

Em 2008, pelo segundo ano consecutivo, a violência diminuiu notavelmente, da mesma forma que o número de vítimas, tanto civis quanto militares.

Como exemplo, o Exército americano registrou em julho o menor número de baixas desde a invasão do Iraque em 2003, com 11 soldados mortos, frente aos 137 de novembro de 2004, o número mais alto nos cinco anos de ocupação.

O general David Petraeus, considerado o grande responsável por esta melhora, assegurou há apenas alguns meses que o número de atentados por dia caiu de 180, em junho de 2007, para 25, em meados de 2008.

Petraeus ofereceu estes dados ao deixar o comando da força militar multinacional no Iraque, liderada pelos Estados Unidos, em 16 de setembro, cargo no qual permaneceu durante 19 meses.

A responsabilidade recai agora sobre o general Raymond Odierno, que se encarregará de pôr em prática as diretrizes da nova Administração americana e de lidar com o pacto de segurança alcançado entre EUA e Iraque.

Este pacto, que enfrenta a oposição dos grupos mais radicais da oposição, foi aprovado pelo Parlamento em 27 de novembro, o que permitirá aos soldados americanos ficar no país depois do fim do mandato dado pelo Conselho de Segurança da ONU.

Enquanto as tropas americanas permanecem em seu território, o Estado iraquiano começa a cobrar autonomia e solidez. As forças de segurança já assumiram o controle em 13 das 18 províncias do Iraque, embora as cinco mais conflituosas - Bagdá, Salah ad-Din, Diyala, Ninawa e Kirkuk - permaneçam sob comando americano.

Paralelamente, o Governo iraquiano começou a encarregar-se dos denominados "Conselhos de Salvação" ou Sahwa, corpo de 99 mil milicianos sunitas que lutam contra a insurgência e que foram apadrinhados em 2006 pelos EUA.

O futuro dos Conselhos de Salvação e das milícias xiitas rebeldes, principalmente do grupo fiel ao clérigo Moqtada al-Sadr, o Exército Mehdi, são dois dos muitos problemas para os quais as autoridades terão que buscar uma solução para estabilizar o país.

No entanto, a estabilidade no Iraque também passa por normalizar as relações com seus vizinhos.

Um deles é a Turquia, que durante todo o ano lançou ataques sobre o Curdistão iraquiano contra alvos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), e que acusa Bagdá de não colaborar na luta contra este grupo, considerado terrorista por Ancara, EUA e União Européia (UE).

As relações com a Síria e o Irã também são tensas e problemáticas, principalmente devido às reiteradas acusações das autoridades americanas de que os dois países colaboram com os terroristas que atuam no Iraque.

Neste contexto, em uma ação militar sem precedentes, helicópteros americanos atacaram a localidade síria de Abul Kamal, próxima à fronteira iraquiana, e que, segundo as autoridades da Síria, mataram oito civis.

Além destes e de outros grandes desafios no âmbito da segurança, o Iraque terá que ocupar-se dos 2,2 milhões de deslocados internos e de outros dois milhões de refugiados que ainda não puderam retornar a seus lares apesar da diminuição da violência. EFE ju/ab/plc/mh

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