SÃO PAULO - O Iraque elegerá neste final de semana seu novo Parlamento. O pleito é considerado essencial pelos EUA, cuja programação de retirada de suas tropas depende basicamente da estabilização do país.

Mas uma onda de atentados já teve início por parte dos insurgentes islâmicos, o que mostra o quão distante o país está da normalidade.

O general Ray Odierno, o comandante das forças americanas no Iraque, disse que trabalha com um plano de contingência caso haja um aumento da instabilidade política e da violência após as eleições. Na prática, isso significaria um atraso no cronograma de retirada das tropas dos EUA. " Temos de nos preparar para o caso de algo acontecer após as eleições " , disse.

Pelo cronograma do presidente Barack Obama, a retirada do contingente (hoje em 96 mil militares) começaria em agosto deste ano e terminaria no fim de 2011.

O pleito está marcado para domingo, mas parte dos iraquianos começou a votar ontem. Membros do Exército e das forças de segurança, presos e pessoas hospitalizadas votam antecipadamente. No total, 19 milhões de iraquianos estão registrados para votar.

O início da votação foi marcado por atentados que deixaram ao menos 14 mortos, apesar das medidas de segurança excepcionais.

Os três atentados ocorreram com poucas horas de intervalo perto de locais de votação de Bagdá. A rede terrorista Al-Qaeda e outro grupo extremista sunita assumiram a autoria dos ataques.

A volta da violência deixa ainda mais instável o campo político. Até os cálculos mais otimistas excluem a possibilidade de o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, obter a maioria absoluta no Parlamento, pelo que precisará costurar alianças para se manter no poder.

Fontes políticas próximas a Maliki calculam que a coalizão governista obterá cerca de 100 das 325 cadeiras do Parlamento. O premiê, no entanto, diz que conseguirá chegar a 120 assentos. Maliki chegou ao poder em abril de 2006, após vários meses de negociações.

O embaixador dos EUA em Bagdá, Chris Hill, reconhece que será difícil retirar as tropas caso o país não mostre estabilidade. " Há uma grande preocupação em Washington sobre a questão de quanto tempo levará a formação desse novo governo " , disse. Hill afirmou que o vácuo de poder em 2005 permitiu a formação de uma nova insurgência. " O novo governante tem a responsabilidade de administrar as forças de segurança agora e precisará estar alerta. "
O principal risco é que a falta de acordo quanto ao governo dê início a uma guerra civil entre a maioria xiita e a minoria sunita.

Caso seja formado um novo governo e as forças iraquianas consigam manter a frágil ordem no país, Obama poderá dizer que os EUA cumpriram sua missão, devolvendo um Iraque democrático e relativamente pacificado. Ainda que o futuro disso seja incerto.

(Valor, com agências internacionais)

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