Iraque encerra suspense ao confirmar detenção de líder da Al Qaeda

Ali Jabouri. Bagdá, 28 abr (EFE).- Dias depois de ter efetuado a detenção, o Governo do Iraque confirmou hoje pela primeira vez que o principal líder da Al Qaeda no Iraque, Abu Omar al-Baghdadi, está preso graças a uma grande operação montada.

EFE |

Baghdadi estava à frente da Al Qaeda no Iraque desde 2006. Sua identidade era alvo de especulação e alguns analistas chegaram inclusive a pensar que não existia uma pessoa assim chamada, mas sim que tal nome identificava um grupo terrorista.

Embora na quinta-feira passada a TV oficial iraquiana tenha anunciado que o líder da Al Qaeda tinha sido detido, não havia uma confirmação firme do Governo até agora.

"Caiu nas mãos dos heróicos serviços de segurança a cabeça do mal, o líder da organização Al Qaeda no Iraque, Abu Omar al-Baghdadi, terrorista que estava vinculado estreitamente ao antigo regime e formou um eixo satânico", anunciou o Governo em comunicado.

Até hoje, o Governo não confirmava nem desmentia que a pessoa detida na quinta-feira passada em um esquema de segurança em Bagdá era o dirigente do grupo Estado Islâmico do Iraque, ligado à Al Qaeda.

O primeiro relatório foi divulgado pela TV iraquiana citando o porta-voz do plano de segurança em Bagdá, general Qasem Atta, mas ele mesmo assinalou no sábado passado que ainda faltavam os resultados de algumas análises, incluindo a de DNA.

Hoje, o próprio Atta compareceu perante a imprensa para divulgar a informação do Governo e mostrar uma foto de Baghdadi, que, segundo disse o porta-voz militar, foi reconhecido por outro militante da Al Qaeda que estava preso.

Não há muitos detalhes sobre a detenção. O pouco que se informou é que o líder da Al Qaeda no Iraque foi detido quando estava em seu veículo, em uma esquina do distrito Al-Rasafa, no leste de Bagdá.

A TV iraquiana tinha dito na quinta-feira que a detenção aconteceu em uma "vasta operação militar".

A possibilidade de que a detenção tenha ocorrido graças a uma denúncia voltou a surgir hoje a partir do comunicado do Governo, que fala da "cooperação cidadã" que permitiu a detenção.

"A captura do terrorista confirma a cooperação entre os cidadãos e os serviços de segurança", diz a nota oficial.

O texto lembrou que Baghdadi se proclamou sucessor do jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, após sua morte em um bombardeio aéreo americano em 8 de junho de 2006, em uma aldeia situada ao nordeste de Bagdá.

No entanto, na ocasião, foram as forças iraquianas que efetuaram a detenção em Bagdá, cujo controle foi transpassado pelo Exército dos EUA, que ainda não se pronunciou sobre a detenção.

Segundo o comunicado do Governo, Baghdadi "cometeu o crime de fomentar a discórdia sectária, matou gente e profanou lugares sagrados como mesquitas sunitas e xiitas, além de ter mutilado os corpos dos iraquianos em mercados e áreas residenciais".

A captura do líder da Al Qaeda aconteceu no mesmo dia em que um atentado suicida em Bagdá e outro na província nordeste de Diyala mataram 84 pessoas.

No dia seguinte, outra bomba matou mais de 60 pessoas perto de Bagdá, o que completou uma onda de violência que não era registrada em vários meses.

Embora nenhum grupo tenha se responsabilizado ainda por esses atentados, os ataques têm o selo da Al Qaeda e da coalizão da qual faz parte, o Estado Islâmico do Iraque.

Além do anúncio, o Ministério do Interior divulgou hoje a captura do suposto emir da Al Qaeda na cidade de Haditha, na província de Al-Anbar, junto a outros seis prováveis membros do grupo.

As autoridades consideram que a detenção de Baghdadi representa "uma nova vitória" para as forças de segurança e uma resposta firme contra os remanescentes do terrorismo.

"A unidade dos iraquianos é a que abortou o plano da discórdia sectária e devolveu ao Iraque sua força, seu lugar e seu prestígio", diz o comunicado oficial do Governo. EFE am/rr

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