Iraque e ONU assinam acordo para realocar refugiados iranianos

Cerca de 3 mil moradores do Acampamento Ashraf devem se mudar para local provisório antes de saírem definitivamente do país

iG São Paulo |

As Nações Unidas e o governo iraquiano concordaram na noite de domingo em realocar milhares de exilados iranianos que vivem em um acampamento no nordeste do país. Enquanto isso, os dissidentes, que ainda não indicaram se concordam ou não em se mudar, registraram um ataque de foguetes no local.

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AP
Foto divulgada pela Organização dos Mujahedin do Povo Iraniano mostra acampamento de Ashraf, em Bagdá

A Organização dos Mujahedin do Povo Iraniano, antes aliada ao ex-líder iraniano Saddam Hussein (1979 - 2003) em uma luta comum contra o Irã, disse que foguetes explodiram próximo a um conjunto de casas no acampamento na noite de domingo, mas que não foram registrados mortos ou feridos.

Um representante do acampamento disse nesta segunda-feira que eles ainda estão aguardando para ver o acordo antes de comentar se eles irão de fato se mudar ou não. "Nós esperamos que (o acordo) inclua o mínimo de garantias para que seja aceitável aos residentes de Ashraf", disse Shanin Gobadi.

"Residentes de Ashraf enfatizaram repetidas vezes que eles não aceitariam de maneira alguma uma realocação forçada."

Desde a queda de Saddam Hussein, em 2003, os novos líderes iraquianos melhoraram suas relações com o Irã e procuraram fechar o acampamento, que abriga 3,4 mil residentes ao nordeste de Bagdá, cerca de 80 km da fronteira iraniana.

A missão das Nações Unidas no Iraque anunciou na noite de domingo um acordo que estabelece um processo de retirada dos residentes do acampamento de Ashraf para uma locação temporária. Não foram divulgados prazos para a mudança e nem essa nova localização foi especificada.

Um comunicado da secretária de Estado americana Hillary Clinton disse que os residentes seriam realocados no Acampamento Liberdade, uma antiga base militar americana, próxima ao aeroporto internacional de Bagdá.

No Acampamento Liberdade, a agência de refugiados da ONU entrevistará os residentes para determinar se eles cumprem os requisitos para ter o status de refugiado, antes de serem eventualmente realocados em um outro país, disse Clinton.

"Nós fomos encorajados pela disposição do governo iraquiano de se comprometer com o planejamento, e esperamos que ele cumpra com suas responsabilidades", disse em comunicado. "Para se sair bem sucedido, essa realocação deve também garantir pleno apoio aos residentes do acampamento, e nós pedimos que eles trabalhem com a ONU para implementá-la."

A Organização dos Mujahedin do Povo Iraniano primeiro se estabeleceu no acampamento Ashraf durante o regime de Saddam, que viu o grupo como um aliado conveniente contra Teerã. O grupo tinha como objetivo derrubar o regime estabelecido no Irã.

O grupo foi responsável por uma série de bombardeios e assassinatos contra o regime clerical iraniano nos anos 1980 e lutou ao lado das forças de Saddam na Guerra Irã-Iraque (1980 - 1988). Mas a organização anunciou sua renúncia aos métodos violentos em 2001. Soldados americanos realizaram o desarmamento do grupo durante a invasão do Iraque em 2003.

Na semana passada, um porta-voz do governo iraquiano disse que o governo estava trabalhando para solucionar a situação do acampamento Ashraf com a ONU e permitiria que o acampamento ficasse aberto em janeiro, enquanto seus residentes eram realocados. No período, representantes dos residentes sugeriram que estavam dispostos a se mudar se a sua segurança estivesse garantida.

Sob o acordo delineado pela ONU, a organização internacional monitorará o processo de realocação e uma equipe estará à disposição na nova localização para atender os refugiados.

Segundo o Departamento de Estado, a embaixada americana em Bagdá também fará visitas regularmente.

O governo iraquiano será responsável pela segurança dos exilados durante esse período. "Eu gostaria de destavar que o governo é responsável pela segurança dos residentes durante sua transferência e estada na nova locação até que eles deixem o país", disse Martin Kobler, representante da missão da ONU no Iraque.

Com AP

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