Iraque e Nicarágua entram em lista de países com tráfico de pessoas

María Peña. Washington, 16 jun (EFE).- O Governo dos Estados Unidos incluiu hoje o Iraque e a Nicarágua, entre outros, em uma lista de 52 países que, segundo sua opinião, devem estabelecer medidas contra o tráfico humano, um fenômeno global que submete milhões de pessoas à prostituição, indigência ou escravidão moderna.

EFE |

O relatório anual do Departamento de Estado, o primeiro do Governo do presidente Barack Obama, ampliou a lista de países com crescentes problemas de tráfico humano, de 40, registrados em 2008, para 52 este ano, entre eles Nicarágua, Iraque, Filipinas, Antilhas Holandesas e Emirados Árabes Unidos.

A Nicarágua entrou na lista que, em 2008, já incluía outros países latino-americanos como a Argentina, República Dominicana, Guatemala, e Venezuela.

No entanto, países como a Bolívia, Brasil, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai, embora não terem abolido o tráfico de pessoas de seus países, estão fazendo progressos "significativos" para proteger as vítimas.

Na América Latina, só a Colômbia cumpre plenamente com essas normas, assim como os países da Europa, segundo Washington.

Em entrevista coletiva, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, advertiu hoje que a crise econômica global deixa as pessoas mais suscetíveis, que são atraídas com falsas promessas de emprego, para depois serem submetidas à "escravidão moderna".

"Milhões de pessoas vivem como escravos no mundo todo, trabalham em campos e fábricas (...) ameaçadas com violência se tentam escapar", denunciou Hillary, ao divulgar o nono relatório anual do Departamento de Estado sobre o tráfico de pessoas em 175 países.

Acompanhada de líderes do Congresso e dois ativistas humanitários da Albânia e da Costa Rica, Hillary disse que o relatório de 318 páginas é um "guia" para o que será feito contra este negócio ilegal.

A atual crise econômica global e "as falsas promessas dos traficantes", disse Hillary, servem de anzol para milhões de pessoas, o que gerou a necessidade de ações para atacar as raízes do problema, "incluindo a pobreza, a débil aplicação das leis e o exploração das mulheres".

Clinton reiterou o compromisso dos EUA - país de destino para milhares de vítimas - de processar os responsáveis e fortalecer os programas de prevenção e proteção das vítimas.

Em 2008, os tribunais nos EUA exigiram a indenização de vítimas de tráfico de pessoas em um valor superior a US$ 4,2 milhões.

O relatório sobre tráfico de pessoas de 2009 traz um panorama desolador e indica que este fenômeno causa devastação física e emocional nas vítimas e "mina a saúde e segurança de todas as nações afetadas", advertiu o relatório.

Clinton elogiou, por exemplo, o trabalho de um centro de operações na Colômbia para investigar o tráfico humano e reabilitar as vítimas.

A análise, que colheu dados entre abril de 2008 e março deste ano, tem a função de pressionar os países para criarem medidas mais contundentes contra o tráfico de pessoas, que, segundo cálculos das Nações Unidas, envolve pelo menos 12,3 milhões de crianças e adultos no mundo todo.

Desse total, pelo menos 1,39 milhão de pessoas são vítimas de escravidão sexual, dentro e fora de seus países, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Mais da metade dos países do mundo adotou leis que proíbem o tráfico humano e, em 2008, 26 nações iniciaram programas de restituição ou proteção das vítimas, disse o Departamento de Estado.

Neste ano, a lista de países onde o problema cresceu ou que as medidas não foram suficientes também inclui Angola, Bangladesh, Cambodia, Líbano, Paquistão, Senegal e Catar, e serve de advertência para que essas nações aumentem a cooperação com os EUA contra a prática ilegal.

Os EUA podem impor sanções àqueles países que continuarem na lista por dois anos consecutivos, cortar certos tipos de ajuda econômica, ou vetar qualquer empréstimo das instituições financeiras internacionais como o Banco Mundial (BM) ou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a esses países.

Atualmente, 17 países estão sujeitos a estas sanções, três mais que o ano passado, entre os quais estão Cuba, Irã, Coreia do Norte, e Síria. EFE mp/pd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG