Iraque e Irã centram conversas de Bush e Brown no Reino Unido

Macarena Vidal Londres, 15 jun (EFE).- A presença militar no Iraque será, junto com o programa nuclear iraniano, um dos assuntos principais nas conversas entre o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e o presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, que chegou hoje a Londres.

Uma entrevista concedida ao jornal londrino "The Observer" e publicada hoje garante que Bush advertirá Brown sobre qualquer tentativa de fixar uma data para a retirada das tropas britânicas do Iraque.

Após reconhecer que ambos os países aliados querem a retirada de suas tropas do Iraque, o presidente americano - que só tem mais sete meses à frente da Casa Branca - afirmou que isto só poderá ser feito depois da certeza de que a operação foi um sucesso.

Questionado sobre a possibilidade de anunciar um prazo para grandes reduções de tropas, Bush destacou que o certo é não ter uma data marcada para isto.

A Casa Branca desmentiu imediatamente as conclusões do "Observer".

Em declarações feitas a bordo do avião no qual Bush viajava de Paris para Londres, o conselheiro de segurança da Casa Branca, Stephen Hadley, negou taxativamente que existam diferenças políticas entre as autoridades das duas nações.

Segundo Hadley, Bush e Brown acreditam que as tropas só poderão deixar o Iraque após o sucesso da operação.

"Esta é a fórmula dos Estados Unidos e do Reino Unido", acrescentou.

Na semana passada, um relatório apontou a possibilidade de o Reino Unido anunciar uma retirada definitiva do Iraque no final do ano.

Atualmente, o Reino Unido mantém 4.200 soldados no Iraque, onde morreram 176 militares britânicos desde o começo da invasão anglo-americana em 2003.

Bush rejeitou durante todo o seu mandato fixar um prazo definido para a retirada das tropas americanas.

Os EUA, que no ano passado aumentaram o número de militares no Iraque devido à piora da segurança, retiraram as tropas adicionais aos poucos, mas detiveram o retorno de mais soldados para depois de julho, à espera de avaliar a situação no local.

A possibilidade de uma saída das tropas britânicas do Iraque foi uma constante desde que Brown chegou ao poder no ano passado, um chefe de Governo que, apesar de ter instintos muito pró-americanos, não conseguiu ter uma relação tão intensa com Bush como seu antecessor, Tony Blair.

Bush se reunirá nesta segunda-feira em Londres, com Blair - enviado do Quarteto de Madri (ONU, EUA, Reino Unido e Rússia) para o Oriente Médio. Logo depois, conversará com Brown.

Hadley negou que exista distanciamento entre os dois dirigentes e, embora reconheça que Brown tem uma personalidade diferente da de Blair, os EUA e o Reino Unido sempre mantiveram relações muito boas.

Segundo Hadley, outro assunto ao qual Brown e Bush dedicarão sua atenção será o do programa nuclear iraniano, depois que Teerã rejeitou, no sábado, o programa de incentivos proposto pela comunidade internacional para que renunciasse ao enriquecimento de urânio.

Bush dedicou parte de sua viagem de despedida pela Europa a tentar convencer seus aliados a apoiarem um endurecimento das sanções contra o Irã.

"Há um compromisso em mostrar ao Irã que existe um caminho pela frente. Mas também estamos convictos de que se o regime iraniano rejeitar a oferta (...) isso causará um maior isolamento do regime e, infelizmente, do seu povo", afirmou.

Bush acrescentou que, durante sua viagem, ficou claro "o compromisso e o consenso" da Europa de que "este é o caminho a ser seguido".

O presidente americano chegou hoje a Londres acompanhado de sua esposa, Laura, e imediatamente se dirigiu ao castelo de Windsor, onde foi recebido pela rainha Elizabeth II.

A monarca da Inglaterra se transformou durante um curto espaço de tempo em uma guia turística para o presidente americano.

Elizabeth II, com um vestido rosa, e seu marido, o duque de Edimburgo, receberam o presidente americano e sua esposa, Laura, que usava um tailleur turquesa.

A soberana britânica conversou com o chefe de Estado americano enquanto compartilhavam um chá. Depois, levou Bush e Laura para conhecerem as partes mais famosas do castelo.

A estadia de Bush no Reino Unido termina amanhã com uma visita à Irlanda do Norte para comemorar o 10º aniversário dos acordos de paz da Sexta-Feira Santa - nos quais os EUA tiveram um papel essencial -, antes de voltar para Washington. EFE mv/fh/db

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