Iraque e Grã-Bretanha iniciarão negociações sobre o futuro estatuto das forças britânicas mobilizadas no sul do país árabe, seguindo o exemplo das negociações de Bagdá com os Estados Unidos, indicou neste domingo em um comunicado o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki.

"O Iraque formará uma equipe negociadora para abordar o futuro da presença das tropas britânicas depois de 2008", ressaltou Maliki depois de se reunir com o ministro britânico da Defesa, John Hutton, em visita a esse país.

O comunicado destaca que Maliki frisou a importância de se alcançar um acordo entre Iraque e Grã-Bretanha antes do final do ano, quando expira o mandato do Conselho de Segurança da ONU sobre a mobilização de tropas estrangeiras no Iraque.

Hutton, nomeado há duas semanas, realiza neste domingo sua primeira visita ao Iraque.

Mais de 4.000 soldados britânicos são mantidos nesse país, em Basra, maior cidade xiita iraquiana.

O secretário de Estado britânico das Relações Exteriores, Bill Rammell, disse na terça-feira que é "crítico" obter nas próximas semanas um acordo bilateral sobre a manutenção das tropas britânicas.

Sem um acordo sobre a presença das tropas britânicas (Status of Forces Agreement, SOFA), o Reino Unido deverá então buscar uma renovação do mandato das Nações Unidas para manter sua presença militar no Iraque, o que enviaria uma mensagem negativa e afetaria o progresso do país, disse Rammell.

A Grã-Bretanha, seguindo o exemplo dos Estados Unidos, deve negociar rapidamente um acordo.

Em entrevista que será publicada na segunda-feira pelo jornal britânico The Times, o primeiro-ministro iraquiano considerou que a presença das tropas britânicas já não é necessária para garantir a segurança do Iraque.

Já os Estados Unidos concluem atualmente seu próprio acordo com Bagdá sobre a presença das tropas norte-americanas depois de 2008.

Uma versão final do projeto de acordo foi enviada pelo governo iraquiano ao presidente do Parlamento. O documento deve ser ratificado pelos deputados iraquianos.

Segundo o projeto de acordo, do qual a AFP obteve uma cópia, os negociadores iraquianos e norte-americanos, que começaram a discutir em fevereiro, chegaram a um acordo sobre a retirada das tropas norte-americanas "no mais tardar em 31 de dezembro de 2011".

A justiça iraquiana poderá julgar soldados norte-americanos se estes cometerem crimes graves fora de suas bases e quando não estiverem em missão.

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