Cairo, 28 mar (EFE).- Um grupo da oposição iraniana criticou hoje a intenção do Governo do Iraque de fechar um campo que atende a refugiados que lutaram contra o regime islâmico do Irã.

Os planos de fechar o campo de Ashraf, localizado perto da fronteira entre os dois países, foram anunciados ontem, pelo titular do Conselho Nacional de Segurança iraquiano, Muwafat al-Rubaie.

Caso o local seja realmente fechado, aproximadamente 3.500 militantes dos Mujahedins do Povo do Irã (PMOI, na sigla em inglês) ficarão sem amparo.

"A situação é muito tensa e sabemos que muitas pessoas podem ficar feridas pela brutalidade do regime iraniano", disse à Agência Efe Mehdi Marand, porta-voz do Conselho Nacional da Resistência iraniana, considerado o braço político do PMOI.

Rubaie anunciou que se os ativistas não saírem do país voluntariamente serão levados para outros lugares longe da fronteira com o Irã.

"Eles eram terroristas estrangeiros vivendo ilegalmente no Iraque", afirmou o alto funcionário iraquiano.

O PMOI, fundado em 1965, combateu o regime do último xá da Pérsia, Mohammad Reza Pahlevi, e se uniu à revolução islâmica que triunfou em 1979, embora, posteriormente, tenha voltado a pegar em armas contra o regime que se instalou em Teerã.

Durante a guerra entre o Iraque e o Irã (1980-1988), os Mujahedins do Povo do Irã apoiaram o regime iraquiano de Saddam Hussein, mas, no início dos anos 90, deixou de operar militarmente contra o Governo de Teerã O campo de Ashraf, situado ao norte de Bagdá, a cerca de 80 quilômetros da fronteira com o Irã, passou a ser administrado pelos EUA após a invasão militar de 2003 e, no início deste ano, foi reentregue às autoridades iraquianas.

O porta-voz do Conselho Nacional de Resistência do Irã afirmou que a decisão das autoridades iraquianas de acabar com o campo atende a uma exigência do regime iraniano e vai contra as leis internacionais que protegem os refugiados. EFE ag/sc

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