Iraque diz que 90% dos terroristas que agem no país vêm da Síria

Bagdá, 31 ago (EFE).- O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, afirmou hoje que 90% dos terroristas que agem no Iraque chegam ao país vindos da Síria, uma acusação a mais na escalada de tensão entre os dois vizinhos.

EFE |

Maliki deu tal declaração depois de se reunir em Bagdá com o ministro de Assuntos Exteriores turco, Ahmed Davutoglu, que foi à capital iraquiana para tentar suavizar a áspera relação entre Iraque e Síria.

"90% dos terroristas de várias nacionalidades que se infiltraram no Iraque vieram de território sírio", afirmou o primeiro-ministro iraquiano, diante de uma onda de violência que deixou centenas de mortos nos últimos meses.

A tensão entre Síria e Iraque ganhou força depois dos atentados de 19 de agosto em Bagdá, quando 87 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas.

As autoridades de Bagdá sustentam que Mohammed Yunis al Ahmed e Satam al Farhan, ativistas do antigo partido governante do Iraque, o Baath, e que supostamente residem na Síria, estariam vinculados a estes atentados, motivo pelo qual pediram sua extradição.

Maliki pediu hoje para que Damasco entregue às autoridades iraquianas todos os suspeitos de participar de atos terroristas no país.

"Desde 2004, o Iraque apresenta à Síria nomes, endereços, documentos e evidências das atividades dos terroristas (que residem na Síria), incluindo as instruções e o apoio recebido dos líderes do Baath", acrescentou Maliki.

O braço iraquiano da Al Qaeda foi responsabilizado pelos atentados do dia 19. Embora o Governo de Bagdá tenha acusado inicialmente membros do Baath e Al Qaeda, nos últimos dias o país vem insistindo na suposta responsabilidade do partido ao qual pertencia Saddam Hussein (1979-2003).

O ministro de Assuntos Exteriores turco expressou sua esperança em que a atual tensão entre os dois países seja superada em breve.

Davutoglu disse que busca "reduzir as tensões entre os dois países e restaurar a confiança mútua".

O ministro turco continuará suas negociações em Damasco, para onde segue nas próximas horas. Lá, o presidente sírio, Bashar al-Assad, já advertiu que seu país considera as acusações iraquianas como "imorais".

"Quando se acusa a Síria de matar iraquianos, em um momento no qual a Síria abriga 1,2 milhão de iraquianos, o mínimo que se pode dizer sobre estas acusações é que são imorais", afirmou hoje Assad.

O presidente da Síria lamentou que o Iraque não apresente provas de suas acusações, que, para ele, têm caráter político.

Analistas políticos da região descartam que a Síria tenha permitido que membros do partido Baath iraquiano tenham se infiltrado no Iraque desde seu território.

O partido Baath (nasserista, socialista e laico) está no poder na Síria, mas as relações com o homônimo iraquiano sempre foram péssimas. EFE am/bba

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