Iraque divulga vídeo com a confissão de autor do atentado contra ministério

O Iraque divulgou neste domingo um vídeo no qual um dirigente do antigo partido do ditador Saddam Hussein confessa ser o cérebro do violento atentado contra o ministério das Finanças em Bagdá realizado na quarta-feira passada.

AFP |

Na gravação divulgada à imprensa em Bagdá, Wissam Ali Kazem Ibrahim, de 57 anos, diz ser membro do Baath desde 1973 e ter recebido ordens de um alto dirigente do partido com sede na Síria.

"Há um mês, o chefe de meu partido, Sattam Farhan, me ligou da Síria para que eu preparasse um atentado para desestabilizar o regime", confessa o homem.

"Liguei para uma pessoa de Mahmudiya (cidade do sul de Bagdá) para que facilitasse a passagem de um veículo. Ele me pediu 10.000 dólares", acrescentou, referindo-se a um carro que foi carregado de explosivos em Khales, 80 km a nordeste de Bagdá.

"O veículo passou por dois controles, o primeiro no bairro de Rachidiya, e o segundo em Bagdá. Depois, o veículo chegou ao ministério das Finanças", afirma o iraquiano, que afirma que, até 1995, era chefe da polícia em Mahmudiya.

Depois de ter exercido como advogado, Wissam Ali Kazem Ibrahim se uniu à direção regional de Diyala (noroeste de Bagdá) do Baath e pertencia à facção dirigida por Mohammed Yunes al Ahmed, ex-governador de Mossul (norte).

Uma série de atentados devastadores em Bagdá deixou pelo menos 95 mortos e centenas de feridos na quarta-feira passada, no dia mais sangrento na capital iraquiana desde que as tropas americanas se retiraram das cidades do país no fim de junho.

Os ministérios do Interior e da Defesa confirmaram um balanço de 95 mortos e quase 600 feridos nos ataques, incluindo dois com caminhões-bomba no coração da cidade, perto dos prédios dos ministérios das Relações Exteriores e das Finanças.

O primeiro caminhão-bomba explodiu diante da sede da chancelaria, a poucos metros da entrada da "zona verde", setor ultraprotegido onde se encontram vários ministérios e embaixadas, incluindo a dos Estados Unidos, além da sede do governo iraquiano.

O segundo caminhão-bomba explodiu debaixo da ponte de uma avenida que liga as zonas norte e sul da capital iraquiana.

O ministério das Finanças, que fica na região do ataque, foi atingido em cheio e os 200 funcionários que estavam no edifício foram feridos ou mortos.

As autoridades atribuíram os ataques a membros do partido Baath e a grupos de extremistas.

Os atentados aconteceram no sexto aniversário do ataque com um caminhão-bomba contra o prédio da ONU em Bagdá, que matou o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, enviado especial do então secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e outras 21 pessoas.

Apesar da considerável redução da violência nos últimos meses, os atentados contra as forças de segurança e os civis continuam frequentes em Bagdá, Mossul e na cidade de Kirkuk, dividida etnicamente e muito rica em recursos petroleiros.

O primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki afirmou que quer uma reavaliação das medidas de segurança no Iraque.

"As operações criminosas de hoje pedem sem dúvida uma reavaliação de nossos planos de segurança para enfrentar os desafios terroristas", indicou, pedindo, em função disso, uma cooperação maior entre os serviços de segurança e os iraquianos.

mel-sk/cn

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