Iraque deve ter eleições regionais até janeiro

O Parlamento iraquiano aprovou nesta quarta-feira por unanimidade leis para regulamentar as próximas eleições regionais do país e pediu que o pleito seja realizado antes de 31 de janeiro de 2009. As leis, que precisam ser agora aprovadas pelo Conselho da Presidência, devem dar mais poder a 14 províncias do país.

BBC Brasil |

Correspondentes dizem que as eleições são parte de um plano apoiado pelos Estados Unidos para reconciliar facções rivais, especialmente os sunitas, que boicotaram as eleições de 2005.

Espera-se que o pleito ajude no processo de reintegração política da minoria sunita, dominante durante as décadas de poder de Saddam Hussein, mas marginalizada após sua queda, e continue a esvaziar a insurgência armada.

Kirkuk
Quatro províncias de maioria curda não vão participar das eleições. As três províncias da região autônoma do Curdistão - Arbil, Sulaimania e Dohuk - e Kirkuk, província rica em petróleo e disputada por curdos e árabes.

Nestas áreas, as eleições foram marcadas para realização depois de março do ano que vem, mas sem data definida.

Facções curdas em Kirkuk rejeitavam a idéia de eleições e, conseqüentemente, não apoiaram o plano do governo central.

Esses grupos alegam motivos históricos e étnicos para a inclusão da cidade, a maior do norte do país, no enclave reconhecido como zona autônoma do Curdistão iraquiano, apesar de, geograficamente, não fazer parte dela.

Curdos argumentam que, desde os anos 1970, o governo majoritariamente sunita de Bagdá vem promovendo uma "arabização" da área, transferindo sunitas e xiitas a Kirkuk para modificar o balanço demográfico.

No entanto, facções árabes e turcomanas da cidade desejam que o governo central continue administrando a região.

Desafio
Analistas apontam o desejo curdo de se separar do Iraque como um dos principais desafios do governo iraquiano para o futuro próximo.

Correspondentes dizem que outra missão do governo é entusiasmar o eleitorado a prestigiar o pleito.

A primeira data prevista para as eleições foi outubro, mas teve que ser modificada porque os parlamentares não chegaram a um acordo antes do recesso de meio de ano.

O número de eleitores que se cadastraram antes do cancelamento foi considerado muito baixo.

Um dos motivos apontados para a apatia é uma certa descrença na classe política, que vem falhando em proporcionar serviços básicos como eletricidade e saneamento para boa parte da população.

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