Iraque deve propor mudanças em acordo de segurança com EUA

Por Mariam Karouny BAGDÁ (Reuters) - O governo do Iraque aprovou nesta terça-feira as alterações que devem ser propostas em um acordo responsável por oficializar a permanência dos soldados norte-americanos no país, afirmou um porta-voz do governo, acrescentando que as mudanças diziam respeito tanto ao conteúdo do pacto quanto à redação de alguns trechos dele.

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O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, "recebeu autorização para apresentar uma versão reformada (do tratado) aos norte-americanos", disse Ali al-Dabbagh depois do final da reunião de gabinete.

Questionado sobre se as mudanças diziam respeito à redação de trechos do documento, Dabbagh respondeu: "Sim, mas também a parte do conteúdo".

A possibilidade de haver novas alterações no pacto, elaborado para oferecer uma base legal à presença de cerca de 150 mil soldados dos EUA no Iraque quando, no dia 31 de dezembro, expirar o atual mandato da Organização das Nações Unidas (ONU), deve ser recebida com mais irritação ainda da parte do governo norte-americano.

Depois de meses de negociações intensas, parecia que, no final da semana passada, um acordo estava a caminho para ser votado no Parlamento iraquiano.

No entanto, debates acirrados surgidos entre os políticos iraquianos e a proposta de emenda acertada na terça-feira sublinham as profundas divisões em torno da presença de militares estrangeiros no Iraque, mais de cinco anos depois da invasão liderada pelos EUA ter derrubado do poder o ditador Saddam Hussein.

O governo norte-americano fez grandes concessões no processo, concordando com retirar seus soldados até o final de 2011 e permitindo a cortes iraquianas julgar soldados dos EUA por crimes graves cometidos em horários de folga.

A potência mundial havia indicado que ouviria as propostas sobre pequenas alterações na redação do pacto, mas que não deseja renegociar o conteúdo dele.

Ainda assim, mesmo que as mudanças propostas sejam aceitas pelos dois lados, o acordo deve enfrentar uma grande oposição dentro do Parlamento iraquiano.

Legisladores ligados ao clérigo anti-EUA Moqtada al-Sadr prometem votar contra o documento. E deve haver pouco apoio entre os partidos xiitas mais ligados ao Irã, que também se opõe veementemente ao pacto.

O maior partido sunita do país, o Partido Iraquiano Islâmico, anunciou na semana passada que cortaria seus laços com os EUA depois de um membro de suas fileiras haver sido morto em uma operação militar norte-americana.

(Reportagem adicional de Missy Ryan)

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