Iraque busca reforçar sua posição sobre segurança diante dos EUA

Bagdá, 21 out (EFE).- O Governo do Iraque aplicará uma série de emendas ao pacto de segurança negociado desde março com os Estados Unidos, com o objetivo de que seja mais aceitável para os iraquianos.

EFE |

O acordo regulará o marco legal de atuação das tropas americanas no Iraque quando vencer, no final de ano, o mandato dado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"O conselho de ministros concordou sobre a necessidade de introduzir emendas à minuta que podem torná-lo mais aceitável em nível nacional", afirmou em comunicado o porta-voz oficial do Governo iraquiano, Ali al-Dabbagh.

A nota, no entanto, não detalhou quais são as áreas do pacto que o Governo pretende alterar, nem o sentido das reformas que deseja introduzir.

Segundo o porta-voz, a decisão foi adotada por consenso no final de uma reunião do conselho de ministros convocada para discutir o convênio, considerado o mais importante que está sendo negociado pelos EUA com outro país em matéria de segurança.

Na reunião, de acordo com o comunicado oficial, os ministros "avaliaram os esforços da equipe negociadora iraquiana e o avanço alcançado pelos negociadores na aproximação aos princípios que o Governo determinou no começo das conversas".

A partir da decisão, as emendas que o Governo do Iraque pretende introduzir serão apresentadas aos negociadores americanos. O pacto ainda deve passar pelo Parlamento, que deve ratificá-lo antes de sua entrada em vigor.

A minuta estabelece a retirada total das tropas americanas do Iraque antes de 31 de dezembro de 2011, embora abra a possibilidade de que se estenda esse prazo a partir de um acordo entre as partes, levando em conta novas circunstâncias.

Um dos temas mais delicados do convênio, segundo fontes oficiais, é a jurisdição a que os soldados americanos estarão submetidos.

O texto negociado, que terá vigência de três anos, fixa que serão os tribunais dos EUA os que julgarão supostos delitos graves cometidos por seus soldados em suas instalações e em operações militares.

Porém, atribui aos tribunais iraquianos a jurisdição sobre delitos cometidos por soldados norte-americanos fora de suas instalações e quando não estejam em serviço.

As duas partes negociadoras tinham se comprometido a deixar concluído e aprovado o convênio antes de 31 de julho deste ano, mas o prazo não foi cumprido.

O chanceler do Iraque, Hoshiyar Zebari, afirmou ontem que não acredita que o processo para ratificar o pacto seja concluído antes das próximas eleições americanas, em 4 de novembro.

No sábado passado, dezenas de milhares de seguidores do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr protestaram nas ruas de Bagdá para pedir ao Parlamento que rejeite o pacto de segurança negociado com os EUA.

O pacto "é uma mancha de vergonha na testa dos executivos que assinam esse tipo de acordos", ressaltou Sadr em comunicado lido pelo xeque Hadi al-Mohamadaui, um dos assistentes do líder xiita.

O grupo liderado por Sadr, um dos mais críticos à presença das tropas americanas no Iraque, conta com 30 das 275 cadeiras do Parlamento iraquiano. EFE ah/rr

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