Iraque aprova pacto sobre permanência de tropas dos EUA

O gabinete ministerial iraquiano aprovou um pacto de segurança que regulamenta a presença de tropas americanas no país por mais três anos. Os dois países vinham negociando um acordo bilateral sobre o futuro das operações americanas no Iraque depois que o mandato das Nações Unidas expirar no próximo 31 de dezembro.

BBC Brasil |

De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshiyaer Zebari, o rascunho do acordo determina que as forças americanas terão de se retirar das cidades iraquianas até junho de 2009 e deixar o país por completo no fim de 2011.

O projeto ainda submete, pela primeira vez, as forças americanas sob a autoridade do governo iraquiano e prevê que elas não poderão mais fazer incursões em casas iraquianas sem a autorização de um juiz e a permissão do governo.

Reação dos EUA
O acordo ainda terá de passar pelo Parlamento iraquiano para obter a aprovação final. A Casa Branca saudou a decisão, que chamou de "passo positivo", embora ressalvando que o processo ainda não terminou.

"Nós continuamos esperançosos e confiantes de que logo teremos um acordo que (...) envia um sinal para a região e para o mundo de que ambos os nossos governos estão comprometidos com uma democracia estável e segura no Iraque", disse o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe.

Atualmente há 150 mil soldados americanos no Iraque.

A Grã-Bretanha, que possui 4,1 mil militares em território iraquiano, está aguardando a aprovação final do pacto entre os Estados Unidos e o Iraque para usá-lo como modelo para sua própria negociação bilateral.

Negociações
O porta-voz do governo Ali Dabbagh disse que o acordo recebeu 27 votos a favor e um contra. Ainda segundo ele, o Parlamento deverá receber o documento neste domingo, mas ainda não divulgou quando irá votá-lo.

Segundo o repórter da BBC Bob Trevelyan, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Malik vinha tentando angariar apoio para o pacto entre as principais alianças xiitas e curdas dentro do Parlamento.

Malik também teria conseguido convencer o mais influente clérigo xiita do país, Ayatollah Ali al-Sistani, a não se opor ao projeto publicamente. Segundo Trevelyan, qualquer manifestação pública contrária ao pacto por parte de Sistani poderia comprometer a aprovação do documento pelo Parlamento.

Defensores do acordo dizem que ele aumentará a soberania iraquiana e ajudará o governo a preservar os ganhos obtidos na área de segurança nos últimos 18 meses.

Já a ala nacionalista, representada entre outros pelo influente clérigo xiita Moqtada Sadr, criticou o projeto e pediu que seus partidários convoquem manifestações para protestar contra qualquer tipo de acordo com os Estados Unidos.

Autoridades iraquianas temem que uma rejeição no Parlamento tenha "graves efeitos" sobre a segurança no país. Para os americanos, significará a suspensão de suas operações no país.

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