Iraque anuncia processo contra Blackwater por morte de civis

A empresa de segurança Blackwater, cujos agentes escaparam do processo judicial nos Estados Unidos pela morte de 14 iraquianos desarmados, será processada no Iraque pelo mesmo incidente, ocorrido em setembro de 2007, na cidade de Bagdá.

AFP |

Na quinta-feira, o juiz federal Ricardo Urbina rejeitou as acusações contra cinco agentes da empresa envolvidos no incidente que terminou com a morte de 14 iraquianos desarmados, durante a reação a um suposto ataque a um comboio de funcionários do departamento de Estado.

O juiz Urbina não se pronunciou sobre o conteúdo do caso, mas concluiu que os promotores violaram os direitos dos acusados ao usar declarações obtidas sob um acordo de imunidade com o Departamento de Estado.

"O governo usou declarações dos acusados (sob acordo de imunidade) para orientar sua ação e formular sua teoria sobre o caso, para desenvolver sua investigação e, em última instância, para obter provas."

Após a decisão de Urbina, o governo iraquiano anunciou, nesta sexta-feira, a intenção de processar a Blackwater, rebatizada de Xe Services, pelo mesmo incidente em Bagdá.

"O governo iraquiano começou a tomar as providências necessárias para processar a Blackwater pelo assassinato de 17 cidadãos iraquianos em 16 de setembro de 2007" em Bagdá, afirmou o porta-voz Ali Dabbagh.

"Vamos utilizar todos os meios possíveis e nossas relações com os Estados Unidos para processar os criminosos dessa companhia, pois um verdadeiro crime foi cometido."

"O governo iraquiano colocou para trabalhar todas suas instituições, os ministérios das Relações Exteriores e da Justiça e o departamento jurídico do secretariado do conselho dos ministros, para preparar processos contra essa companhia", acrescentou.

"Não vamos esquecer o sangue derramado", insistiu, solicitando a "cooperação" da justiça americana neste caso.

No comunicado, o porta-voz também pediu ao Ministério da Justiça americano que recorra da "decisão inaceitável" tomada pelo juiz Ricardo Urbina.

Já o presidente da Xe Services (ex-Blackwater), Joseph Yorio, saudou a decisão do juiz Urbina e destacou que "desde o princípio" sua companhia "apoiou os centenas de valentes funcionários que correram riscos para proteger os diplomatas americanos em Bagdá e em outras zonas de combate no Iraque".

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