Iraque admite mortes em campo de exilados iranianos

Por Mohammed Abbas e Tim Cocks BAGDÁ (Reuters) - O governo do Iraque reconheceu nesta quinta-feira que sete exilados iranianos foram mortos quando as forças iraquianas tomaram o controle do acampamento deles, esta semana, ao norte de Bagdá.

Reuters |

O porta-voz do governo, Ali al-Dabbagh, havia negado que houvesse morrido alguém nos confrontos entre as forças iraquianas e os manifestantes que tentavam bloquear a entrada deles no campo de Ashraf, que abriga a Organização dos Mujahideen do Povo do Irã (PMOI, na sigla em inglês) há duas décadas.

O Iraque, o Irã e os Estados Unidos consideram o grupo dissidente uma organização terrorista. O governo de maioria xiita do Iraque quer fechar o campo e enviar seus moradores de volta ao Irã ou para um terceiro país.

Moradores do campo relataram que as forças iraquianas invadiram o local, atirando ou batendo nos moradores e prendendo outros.

Behzad Saffari, um porta-voz dos moradores, disse que dezenas deles foram mortos, ao menos seis baleados pela polícia. Centenas ficaram feridos, afirmou ele.

Na quinta-feira, Dabbagh disse que sete pessoas morreram, mas divergiu sobre a forma como as mortes ocorreram.

"Cinco deles se jogaram na frente dos veículos da polícia iraquiana...Isso não é morte por tiro, mas por perturbação da ordem."

Dabbagh disse que outras duas pessoas foram baleadas por atiradores da PMOI dentro do campo quando tentavam fugir. As autoridades iraquianas consideram o grupo uma ameaça e dizem que muitos dos 3.500 moradores do campo sofreram lavagem cerebral ou são forçados a permanecer ali.

Alguns grupos de direitos humanos e simpatizantes do Ocidente têm criticado duramente a forma como o Iraque atua em Ashraf.

Eles afirmam que o fechamento do campo e a retirada dos moradores contra a vontade deles seriam violações da lei internacional dos direitos humanos.

A Pmoi disse na terça-feira que os moradores estariam dispostos a voltar ao Irã, mas apenas com a condição de que tivessem garantida imunidade contra processos, prisão, tortura ou execução, com observadores internacionais, uma condição improvável de ser aceita por Teerã.

"Eles não podem nos remover. As pessoas do Ashraf estão prontas para morrer", disse Saffari à Reuters.

"É uma questão de orgulho e dignidade que permaneçamos. Você não pode dizer às pessoas que estão aqui há 20 anos que de repente é hora de partir."

A PMOI recebeu abrigo no Iraque na época do antigo líder sunita Saddam Hussein, que travou uma sangrenta guerra de oito anos contra o Irã nos anos 1980.

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