Iranianos votam em massa; oposição declara vitória

Por Parisa Hafezi e Zahra Hosseinian TEERÃ (Reuters) - Os iranianos lotaram os locais de votação nesta sexta-feira em uma eleição bastante acirrada, e um destacado aliado do candidato oposicionista moderado Mirhossein Mousavi disse que ele está prestes a derrotar o presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad.

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Um conselheiro de Ahmadinejad qualificou a alegação como "guerra psicológica" e disse ser impossível prever o resultado.

Eles deram as declarações pouco antes do encerramento oficial da votação, marcado para as 18h (10h30 em Brasília), embora a mídia estatal tenha dito ser provável haver uma prorrogação por causa do comparecimento sem precedentes.

Uma vitória de Mousavi ajudaria a diminuir as tensões entre Teerã e o Ocidente, que tem preocupação com as ambições nucleares do Irã, e aumentaria as chances de um entendimento com o presidente dos EUA, Barack Obama, que tem falado sobre um recomeço nas relações entre os dois países.

Sadegh Kharazi, aliado do ex-primeiro-ministro Mousavi, disse à Reuters que pesquisas feitas pelos reformistas mostraram que ele estava conseguindo votos suficientes para vencer já no primeiro turno.

"Posso dizer, com base em nossas pesquisas, que Mousavi está obtendo entre 58 e 60 por cento dos votos e nós somos os vencedores", disse ele.

Um conselheiro de Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, afirmou em resposta: "Como eles podem prever? Isto é uma guerra psicológica que lançaram para influenciar a votação."

Longas filas se formaram nos postos eleitorais da capital Teerã e de outros lugares, e o Ministério do Interior disse que deve haver comparecimento de 70 por cento dos eleitores. Algumas pessoas disseram ter esperado mais de duas horas para depositar seu voto.

Quatro candidatos estão na disputa, mas o maior concorrente de Ahmadinejad é o moderado Mousavi, cujos eleitores fizeram uma passeata pelas ruas de Teerã aos milhares para mostrar apoio.

CAMPANHA

A alta participação pode indicar a presença de muitos eleitores pró-reformas que se abstiveram quando Ahmadinejad conquistou uma surpreendente vitória nas urnas quatro anos atrás com a promessa de retomar os valores da revolução islâmica de 1979.

A votação despertou interesse em todo o mundo, já que muitas autoridades esperam sinais de aproximação por parte do Irã, cujos laços com o Ocidente pioraram sob o governo de Ahmadinejad.

Para os iranianos, a eleição é uma chance de julgar os quatro anos de governo de Ahmadinejad.

Embora Ahmadinejad, de 52 anos, diga que seu governo reviveu o crescimento econômico e coibiu os aumentos de preços, a inflação e elevado desemprego foram os principais temas da campanha eleitoral. A inflação oficial está por volta de 15 por cento.

Questões sociais, como o rígido código de vestimenta para as mulheres, bem como as relações do Irã com outros países também foram tema da campanha, mas o resultado da votação não trará uma grande mudança na política externa do país, que é determinada pelo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Mousavi, de 67 anos, rejeita as exigências do Ocidente de interrupção do enriquecimento de urânio, mas analistas dizem que ele teria uma atitude diferente quanto às relações entre o Irã e os EUA e nas conversações sobre o programa nuclear iraniano. O Ocidente teme que o objetivo iraniano seja a fabricação de bombas nucleares, o que o país nega.

Resultados preliminares devem ser divulgados no sábado. Especialistas acreditam numa disputa apertada entre Ahmadinejad e Mousavi, que disputariam um 2o turno em 19 de junho.

(Reportagem adicional de Hossein Jaseb e Hashem Kalantari)

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