O ex-presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani reabriu com um sermão, durante as orações de sexta-feira, em Teerã, o debate a respeito das eleições presidenciais de junho, que resultaram na reeleição de Mahmoud Ahmadinejad para presidente.

Reuters
Mousavi (de camisa azul) ouve sermão de Rafsanjani
Mousavi (de camisa azul) ouve sermão de
Rafsanjani, em rara aparição pós-eleições

Em seu primeiro sermão desde a eleição, Rafsanjani afirmou que um grande número de iranianos ainda duvida dos resultados e algo precisa ser feito para trazer de volta a segurança a estes eleitores.

"Nosso problema é restaurar a confiança que levou o povo para a votação naquela escala (de alto comparecimento) e que foi manchada. Restaurar aquela confiança, este deve ser nosso objetivo sagrado", afirmou.

Rafsanjani é uma importante figura política no Irã e apoiou o candidato de oposição à Presidência, Mir Hossein Mousavi, que foi derrotado nas eleições do dia 12 de junho.

A reeleição de Ahmadinejad levou a uma série de acusações de fraude e a uma onda de protestos e choques nas ruas do Irã que persistiram durante dias e deixaram pelo menos 20 mortos e centenas de presos.

A mais importante figura política iraniana, o líder supremo aiatolá Ali Khamenei confirmou a vitória de Ahmadinejad e exigiu o fim dos protestos. Apesar disto, Mousavi continuou exigindo uma nova eleição e classificando o governo de ilegítimo.

Mais protestos

A polícia iraniana disparou gás lacrimogêneo para dispersar outra manifestação de partidários da oposição nesta sexta-feira, durante as orações na Universidade de Teerã.

Durante o sermão de Rafsanjani, que foi transmitido ao vivo pela rádio estatal, os participantes também gritaram o nome de Mousavi, que participou do sermão. Os partidários do candidato derrotado também teriam se reunido nas ruas de Teerã depois das orações.

Partidários de Mousavi protestam em frente à Universidade de Teerã

Partidários de Mousavi protestam em frente à Universidade de Teerã

Em seu sermão, Rafsanjani também pediu pela libertação das pessoas presas durante a onda de protestos.

"Nas atuais circunstâncias, não há necessidade de manter as pessoas nas prisões. Devemos permitir que eles voltem para suas famílias", afirmou. "Somos todos membros de uma família. Espero que com este sermão possamos passar por este período de provações que pode ser chamado de crise."

Tensão

As orações de sexta-feira na Universidade de Teerã costumam contar com a participação de milhares de pessoas. Normalmente são transmitidas para o país inteiro.

O correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, afirmou que o fato de a televisão estatal não ter transmitido ao vivo o sermão de Rafsanjani demonstra que o governo está extremamente tenso a respeito de suas declarações. Foi a primeira vez em dois meses que ele comandou as orações.

Apesar de não ter se manifestado durante a onda de protestos depois das eleições, integrantes da família de Rafsanjani, incluindo sua filha Faezeh, apoiaram abertamente Mousavi.

De acordo com Jon Leyne, este pode ser um momento importante no confronto entre o governo de Ahmadinejad e membros da oposição.

O ministro do setor de Inteligência iraniano, Gholam Hossein Mohseni Ejehi, pediu na quinta-feira que o "sábio povo iraniano" fosse "vigilante para que as orações de sexta-feira não sejam transformadas em um palco para cenas indesejáveis".

Leia também:


Leia mais sobre Irã

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.