Iranianos protestam por incursão policial em campo de refugiados

Genebra, 3 ago (EFE).- Cerca de 20 pessoas fizeram uma manifestação hoje em frente à sede da ONU em Genebra para pedir o fim dos ataques da Polícia iraquiana contra a população do campo de refugiados iranianos de Ashraf.

EFE |

"As pessoas que vivem em Ashraf são refugiadas que estão no local há 25 anos sem ter problemas. Desde 28 de julho, morreram 12 pessoas. É uma situação horrível", disse à Agência Efe Parnian Saramad, mãe de dois civis que estão na região.

O campo de Ashraf fica ao norte de Bagdá e a cerca de 80 quilômetros da fronteira com o Irã, e é habitado há quase 20 anos por militantes de um grupo de oposição iraniano que deixou as armas nos anos 90.

O campo, que tinha cerca de 3,5 mil militantes dos Mujahedins do Povo do Irã (PMOI, em inglês), foi controlado por forças dos Estados Unidos de 2003 até o começo deste ano, quando o controle passou às mãos iraquianas.

A Polícia iraquiana se mantinha nos arredores do local, mas na terça-feira passada decidiu invadir para impor sua autoridade, disseram porta-vozes do Governo, após a incursão.

Desde estes ataques, um grupo de cerca de 20 iranianos faz manifestação todas as manhãs durante uma hora diante da sede das Nações Unidas em Genebra, para denunciar esta situação.

"Os habitantes de Ashraf estavam há cinco semanas sem serviços mínimos, como acesso à água ou à comida, mas, nos últimos dias, sofreram ataques nos quais 450 pessoas ficaram feridas", disse Saramad.

Além disso, afirmou que "os americanos desarmaram a população e assinaram um acordo de proteção, por isso esperamos que tomem frente no assunto".

Até o momento, a força militar dos Estados Unidos destinada no Iraque enviou na sexta-feira passada um grupo de médicos para atender os residentes de Ashraf.

O PMOI, fundado em 1965, combateu contra o último xá da Pérsia, Mohamad Reza Pahlevi, e se uniu à revolução islâmica que triunfou em 1979, mas depois iniciou um levante armado contra o regime que ficou instalado em Teerã.

As autoridades iraquianas querem desmantelar esse campo de refugiados e pediram que seus habitantes retornem ao Irã, vão para outross países ou outros lugares do Iraque, longe da fronteira.

No entanto, os exilados iranianos temem que, se voltarem ao Irã, sejam detidos ou torturados, e definiram uma série de condições para que organizações internacionais garantam o retorno seguro a seu país de origem. EFE mrm/an

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