Iranianos elegem um terço de seus deputados no segundo turno

Mohamad Shivafar Teerã, 25 abr (EFE).- Os iranianos foram hoje às urnas para participar do segundo turno das eleições parlamentares que decidirão os legisladores que ficarão com as 82 cadeiras não ocupadas após a primeira rodada eleitoral, realizada no dia 14 de março.

EFE |

O processo eleitoral aconteceu paralelamente a uma intensa campanha política para estimular os eleitores a comparecerem às urnas.

Segundo o diretor da plataforma central para a supervisão eleitoral, Mohammad-Hossein Musapur, o índice de participação na votação de hoje foi 9% superior ao do primeiro turno.

"Segundo os relatórios recebidos por esta plataforma, a participação das pessoas neste segundo turno foi alta", disse Musapur, citado pela agência semi-oficial "Mehr".

Segundo fontes oficiais, o índice de participação no pleito de 14 de março superou os 60%. A imprensa local também noticiou a grande participação registrada nas eleições.

No entanto, as declarações de Musapur e a imagem divulgada pela imprensa oficial contrastam com as palavras do ministro do Interior, Mustafa Pourmohammadi.

O ministro disse à agência de notícias iraniana "Irna", depois de anunciar que os colégios permaneceriam abertos por mais duas horas, que a extensão do horário ocorreu "porque as pessoas demonstraram que não têm muito interesse em ir às urnas durante as primeiras horas do dia".

Além disso, vários colégios eleitorais do nordeste e leste da capital apareciam quase vazios no meio do dia, como a Agência Efe pôde comprovar.

Em alguns destes centros, como o de Ershad, situado na rua de Shariati, em Teerã, o grande número de observadores e jornalistas contrastava com o pouco comparecimento de eleitores que foram exercer seu direito ao voto.

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi o primeiro a depositar seu voto esta manhã e em insistir na importância do segundo turno.

"Temos que participar do segundo turno das eleições com a mesma motivação e o mesmo sentimento de compromisso e obrigação com o qual participamos do primeiro", disse a máxima autoridade do regime iraniano à televisão estatal.

Já o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, destacou a importância do Parlamento e dos deputados para "criar um ambiente de unanimidade nacional".

Segundo o Ministério do Interior, que anunciou a provável divulgação dos resultados para amanhã, não houve incidentes de grande importância durante a votação.

Aparentemente, a principal razão pela qual os eleitores voltaram a ser convocados às urnas para realizar um segundo turno foi porque conservadores e reformistas não apresentaram listas unitárias, como em outras ocasiões.

O eleitor iraniano tem que escolher dentre todas as listas o número de candidatos reservados para sua circunscrição. Em Teerã, por exemplo, são 30.

Segundo alguns analistas, muitos iranianos, em vez de escolherem o número de candidatos correspondentes às cadeiras reservadas para sua circunscrição, limitaram-se a marcar só alguns.

Isso explicaria o fato de muitos candidatos não conseguirem, no primeiro turno, quantidade de votos suficiente para a vitória eleitoral.

Em Teerã foram eleitos 19 deputados no primeiro turno das eleições parlamentares, e, agora, os eleitores têm que escolher 11 candidatos dentre os 22 que concorrem, seis deles mulheres.

Outras seis mulheres concorrerão pelo resto dos assentos em jogo com outros 152 candidatos.

Aproximadamente 21 milhões de iranianos estão convocados para escolher entre 164 candidatos para completar os 290 assentos do Parlamento, o 8º eleito desde a vitória da revolução islâmica, em 1979. EFE msh/rob/db

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