Iraniana pode ser executada na próxima semana

Segundo organização, corte rejeita reabrir julgamento de mulher condenada à morte por adultério e, agora, também por assassinato

iG São Paulo |

Em audiência na quarta-feira, a Suprema Corte do Irã, em Teerã, rejeitou a reabertura do julgamento da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, acusada de adultério , e agora considera o pedido do promotor Hossain Nobacht de que ela seja executada, informou em comunicado em seu site a Comissão Internacional contra o Apedrejamento (Icas, em inglês).

O caso da iraniana, que motivou uma campanha internacional, foi transferido agora para o vice-procurador-geral Saeed Mortazavi. De acordo com o Icas, o Supremo ainda confirmará se a execução de Sakineh pode ocorrer na próxima semana.

Segundo o comunicado do Icas, os filhos e parentes de Sakineh estão muito preocupados com a decisão. Há dez dias, Nobacht vem falando publicamente sobre o pedido de execucação de Sakineh e pedindo a confirmação do Judiciário.

Mina Ahadi, do Icas, afirmou: "O regime islâmico enviou uma mensagem política. Apesar dos vários protestos e da preocupação internacional por Sakineh, o Irã continua seu terror contra a população e especialmente as mulheres. O fato de o caso ter sido colocado nas mãos de Mortazavi é um sinal muito ruim."

Segundo a comissão, Mortazavi foi acusado pelo governo do Canadá pela tortura e morte da fotógrafo de nacionalidade iraniana e canadense Zahra Kazemi, após os protestos contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, em julho do ano passado. Também de acordo com a organização, em um relatório publicado no Irã neste ano, Mortazavi foi apontado como responsável pelo abuso de dezenas e a morte de três prisioneiros políticos no centro de detenção de Kahrizakem 2009.

Uma confirmação da ordem de execução pode significar que ela será executada em breve, diz o comunicado da Icas. "Os preparativos da execução são um claro sinal de que a 'justiça' no Irã não tem relação com ser justo, mas total relação com ser um instrumento político da opressão e da autopreservação do regime", afirmou Ahadi, segundo a Icas.

A Icas pediu que todas as organizações de direitos humanos, governos e indivíduos de todo o mundo continuem a pressionar o regime pela libertação de Sakineh.

O caso está ecoando por todo o mundo e o Brasil entrou no centro da polêmica depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu asilo político à iraniana "se ela estiver causando algum incômodo" no Irã. O governo iraniano reagiu à proposta afirmando que Lula tem uma " personalidade emotiva " e propôs conceder asilo sem "informação suficiente" sobre o caso.

Apedrejamento ou forca

O comunicado da comissão não esclarece se Sakineh será morta por apedrejamento, sua condenação inicial , ou pela forca. No início de julho, as autoridades iranianas anunciaram o cancelamento da execução por apedrejamento , mas ainda não está claro se essa sentença foi realmente revogada.

Na quarta-feira, uma reportagem do jornal "New York Times" sugeriu que o Irã aumentou teria aumentado as acusações contra Sakineh para responder às críticas da comunidade internacional sobre a maneira como tem lidado com o assunto.

Sob pressão internacional por conta da oferta brasileira de acolhê-la ,  o país teria mudado sua "versão" sobre o caso para uma em que o principal crime passa a ser o de "assassinato", diz o jornal. Como evidênica, o "NYT" destaca que a primeira reação iraniana à oferta do presidente Lula foi dizer que o líder brasileiro está " mal-informado dos detalhes da condenação " de Sakineh.

"O comentário veio após reportagens do serviço de notícias conservador Jahan, que afirmou, sem citar fontes, que Sakineh havia sido condenada pelo assassinato de seu marido, mas que os juízes não haviam liberado informações à imprensa porque os detalhes da morte 'eram demasiadamente assustadores'", escreveu o "NYT".

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, se a acusação de adultério for confirmada, ela deve ser apedrejada; se for a de assassinato, ela deve ser enforcada.

Em outra reportagem sobre o mesmo tema, o jornal "The International Herald Tribune", do mesmo grupo, afirma que o Jahan News é visto como uma fonte confiável do pensamento do governo iraniano. Para o jornal, o Irã "desdenhou" da oferta brasileira, que teria sido recebida "com frieza" pelo establishment conservador do país.

Na opinião do diário americano, a postura iraniana pode "introduzir uma pressão no que tem sido um relacionamento cada vez mais cordial" entre o Brasil e o Irã. "(A reação) também reforçou a visão dos críticos de que o Irã possui uma forma bárbara de justiça que é especialmente repressiva em relação às mulheres."

*Com BBC

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